Coreia do Norte defende testes de mísseis em raro discurso na ONU - TVI

Coreia do Norte defende testes de mísseis em raro discurso na ONU

  • Agência Lusa
  • AM
  • 14 jul 2023, 07:38
Kim Song (AP)

Kim Song argumentou que o país apenas exerceu o direito de autodefesa "para deter movimentos militares perigosos de forças hostis e salvaguardar a segurança" do Estado

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A Coreia do Norte compareceu esta sexta-feira no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para defender o seu mais recente teste com mísseis balísticos, apesar da condenação por parte da maioria dos Estados-membros.

Na reunião do Conselho de Segurança, agendada de urgência após o lançamento de mais um míssil por Pyongyang, o embaixador norte-coreano junto à ONU, Kim Song, argumentou que o país apenas exerceu o direito de autodefesa "para deter movimentos militares perigosos de forças hostis e salvaguardar a segurança" do Estado.

"Rejeitamos e condenamos categoricamente a convocação do 'briefing' do Conselho de Segurança pelos Estados Unidos e seus seguidores", disse o embaixador, numa rara aparição na ONU, sendo que a última vez que o país participou numa reunião do Conselho sobre os seus próprios programas nucleares foi em 2017, segundo fontes diplomáticas.

Song aproveitou para criticar duramente as manobras militares realizadas por Washington e os seus parceiros na região, as quais classificou como "ameaças e provocações".

A Coreia do Norte disse na quinta-feira que testou com sucesso um novo míssil balístico intercontinental de combustível sólido sob a supervisão do líder, Kim Jong-un, dias após ameaçar abater aviões espiões dos Estados Unidos que violassem o seu espaço aéreo.

Esta é a segunda vez que a Coreia do Norte testa este tipo de projétil, que caiu na água após voar cerca de 75 minutos, segundo as autoridades japonesas.

A ONU disse que este aterrou nas águas da zona económica exclusiva da Rússia e que aqueles 75 minutos supõem potencialmente o voo mais longo desse tipo de míssil entre todos os já testados pelo Exército norte-coreano.

Após a reunião, dez Estados-membros da ONU defenderam que o Conselho de Segurança "não pode continuar calado diante das provocações" da Coreia do Norte e deve "enviar um sinal coletivo" de desaprovação pelo lançamento de mísseis balísticos.

A Albânia, Equador, França, Japão, Malta, Coreia do Sul, Suíça, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos emitiram um comunicado conjunto no qual condenaram "nos termos mais fortes possíveis" o lançamento.

"O Conselho não pode continuar calado diante dessas provocações e devemos enviar um sinal claro e coletivo à Coreia do Norte (...) de que esse comportamento é ilegal, desestabilizador e não será normalizado", pode ler-se no comunicado, lido pelo embaixador norte-americano Jeffrey DeLaurentis.

"Apelamos a todos os Estados-membros para que enfrentem a geração ilícita de receitas da Coreia do Norte e as atividades cibernéticas maliciosas que financiam as ações ilegais e desestabilizadoras do Governo norte-coreano", acrescentou.

No comunicado, os dez países apelaram ainda a todos os Estados-membros da ONU para que implementem plena e fielmente todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança, incluindo impedir "que a Coreia do Norte escape das sanções para avançar com os seus programas ilegais de armas de destruição em massa e mísseis balísticos e rede de aquisição global associada".

"É hora de unir e restaurar a voz do Conselho sobre esta ameaça e agir para enfrentar a ameaça da Coreia do Norte", instaram.

De acordo com o embaixador norte-americano, a Rússia e a China - dois dos cinco membros permanentes, com poder de veto - têm impedido o Conselho de Segurança de atuar contra Pyongyang.

"Com esses lançamentos repetidos, Pyongyang está a demonstrar que se sente encorajado a continuar dessa maneira, porque a China e a Rússia têm consistentemente impedido este Conselho de tomar medidas para deter essas transgressões. Nada disso deveria ser aceitável", protestou Jeffrey DeLaurentis.

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