Leica chega aos 50 anos em Portugal com vendas de 80 milhões e 800 empregos - TVI

Leica chega aos 50 anos em Portugal com vendas de 80 milhões e 800 empregos

  • ECO - Parceiro CNN Portugal
  • Fátima Castro
  • 16 set 2023, 16:00
Leica (ECO)

Há 50 anos, os trabalhadores da Leica contavam-se pelos dedos das mãos. Hoje tem mais de 800 trabalhadores e fatura mais de 80 milhões de euros a partir de Famalicão

Assinalam-se 50 anos desde que a Leica chegou a Portugal, mais concretamente a Vila Nova de Famalicão, onde fabrica, entre outros produtos, câmaras e lentes. A empresa alemã iniciou o seu percurso nacional em 1973 com pouco mais de dez colaboradores. Hoje, fatura mais de 80 milhões de euros e emprega mais de 800 pessoas no país. “Paixão, precisão e compromisso” são o segredo do negócio, que perdura ao longo das décadas.

“Na década de 70 existia uma grande pressão no aumento de custos na Alemanha e era preciso para garantir o futuro de uma marca como a Leica, em termos de competitividade, encontrar um sítio onde fosse possível fazer um produto tão especial por pessoas especiais. Foram considerados três países, incluindo Portugal (Famalicão), que acabou por ser escolhido devido à sua mecânica de precisão, de filigrana e relojoaria. Havia um tecido industrial com muita experiência e a família Leitz decidiu apostar [no país] ainda antes do 25 de abril”, diz Vítor Freitas, administrador da Leica em Portugal, ao ECO/Local Online.

A Leica Portugal tem desempenhado um papel relevante na economia nacional e local, ajudando a fortalecer o tecido económico e social do país através da criação de emprego, impulsionando as exportações, promovendo e impulsionando a inovação e a pesquisa científica, acredita a empresa.

"O que a família Leitz encontrou em Portugal foi a paixão, a precisão e o compromisso."

Vítor Freitas

Administrador da Leica em Portugal

Na unidade de Famalicão são fabricadas câmaras (digitais e analógicas) e lentes, isto na área da fotografia, e binóculos e telescópios, na área da ótica desportiva. Praticamente toda a produção é exportada essencialmente para o mercado alemão.

Para Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, “a presença no concelho há cinco décadas de uma fábrica de uma das marcas mais distintas e desejadas mundialmente é sinónimo da qualidade dos recursos humanos do concelho, uma prova de confiança no profissionalismo e na sabedoria dos nossos trabalhadores”, afirma o autarca, citado num comunicado.

Vítor Freitas, administrador da Leica em Portugal. (Foto: ECO)

É também a partir de Vila Nova de Famalicão que são feitas a reparações de produtos de clientes de todo o mundo na área da ótica desportiva. “Famalicão é o centro de competência e assistência da ótica desportiva para todo o mundo Leica. Está disponível ao cliente 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma o administrador da Leica Portugal. “Na ótica desportiva, a grande maioria dos produtos disponíveis são made in Portugal”, conta.

Na unidade de produção famalicense, existe ainda um centro de desenvolvimento de tecnologia e inovação com mais de 30 colaboradores. “Reforçar as competências, não só produtivas mas de engenharia, desenvolvimento e apoio ao cliente, é um caminho estratégico que a Leica Portugal tem vindo a fazer”, remata o gestor.

"Reforçar as competências, não só produtivas mas de engenharia, desenvolvimento e apoio ao cliente, é um caminho estratégico que a Leica Portugal tem vindo a fazer".

Vítor Freitas

Administrador da Leica em Portugal

Em 2013, a Leica investiu 25 milhões de euros numa nova fábrica com uma área de 52 mil metros quadrados, incluindo 18.100 metros quadrados para espaço de produção, 3.100 metros quadrados para montagem, 3.500 metros quadrados para ótica, 4.900 metros quadrados para mecânica e 2.700 metros quadrados para áreas de suporte à produção. 

“O que temos de visão para a fábrica é claramente uma aposta na sustentabilidade industrial. Na área da sustentabilidade energética investimos três milhões de euros nos últimos dois anos”, realça Vítor Freitas. A Leica Portugal tem um parque fotovoltaico com 2 MW de potência, avança.

Passados três anos, em 2016, a Leica Portugal abriu a Leica Store, com cerca de 105 metros quadrados, no edifício histórico na Rua de Sá da Bandeira. Além de todo o portefólio de máquinas fotográficas e ótica desportiva, a loja alberga uma Leica Galeria com cerca de 100 metros quadrados, que exibe exposições alternadas. A nível global, a Leica conta com 30 lojas e galerias espalhadas pelo mundo.

Recuando à origem, a Leica é fundada em 1849 em Wetzlar, na Alemanha, por Carl Kellner, um jovem mecânico que funda o Optisches Institut (Instituto Ótico), onde produzia óculos e telescópios. Em 1951, o Instituto Ótico inicia a produção de microscópios. Nesta altura era um pequeno negócio com menos de 20 empregados e uma pequena oficina. Atualmente, emprega mais de duas mil pessoas e fatura quase 500 milhões de euros. A Leica conta com duas unidades de produção, uma na casa mãe em Wetzlar e outra em Famalicão.

O apetite pelos produtos da Leica atravessa gerações: em maio de 2011, uma câmara Leica fabricada em 1923 foi leiloada por 1,9 milhões de dólares (1,7 milhões de euros), tornando-se numa das máquinas “mais caras da história”, de acordo com informação no site da empresa.

Para assinalar os 50 anos da Leica Portugal, a multinacional vai realizar esta quinta-feira um evento na fábrica, em Vila Nova de Famalicão, que vai reunir mais de 100 pessoas. Na comemoração vão estar presentes, entre alguns representantes internacionais da empresa, Bernardo Ivo Cruz, secretário de Estado da Internacionalização; Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão; e Julia Monar, embaixadora da Alemanha em Portugal.

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