José Mourinho garante ter perdido a cabeça com o golo dramático de Trubin ao Real Madrid, na última jornada da fase de liga da Champions, que assegurou a presença das águias no play-off de acesso aos «oitavos» da competição.
Em declarações ao Magazine UEFA, o técnico do Benfica recorda o abraço que deu a Arbeloa e a forma como olhou para a situação, já que estava a festejar de forma efusiva «à frente» de um amigo.
«No momento em que nós fazemos o golo e toda a gente entra em campo, a única coisa que me lembro é da minha família que raramente está porque vivem em Londres e estavam ali naquele dia. É uma situação única. Já tinha ganho de forma parecida ao PSG, numa eliminatória com o Chelsea, só que tinha sido um avançado a marcar, não um guarda-redes. É efetivamente de perder a cabeça. Tive aqueles três ou quatro segundos de perder a cabeça, mas depois o Arbeloa trouxe-me à terra porque me apareceu à frente, abraçou-me e fez-me aquela coisa de "uau, não posso celebrar assim à frente dos meus amigos". Fui para dentro e não participei na festa que os jogadores fizeram em campo», afirma.
Além disso, Mourinho garante que «agarrar» na equipa a meio da época foi a maior dificuldade que sentiu desde que assumiu o comando técnico das águias, reforçando a pouca experiência que tem neste tipo de situações e deixa claro que vai tentar não sentir «nada» no regresso ao Santiago Bernabéu, na segunda mão do play-off de acesso aos «oitavos» da Liga dos Campeões.
«Entrar a meio da época é algo que não tenho grande experiência e que me cria sempre muitas dificuldades. Penso sempre em chegar e impor-me, não no sentido de liderança, mas no sentido de jogar e tenho dificuldades em perceber até que ponto posso entrar e romper com o passado. Cria-me algum tipo de dificuldades, cria-me frustrações, é uma coisa que a minha experiência ainda não me ensinou muito, agarrar numa equipa a meio da época. Essa foi a dificuldade maior no Benfica.»
«Não quero sentir nada, não sei se vou conseguir, mas vou tentar não conseguir nada. Cada vez que regresso a sítios onde fui feliz, tento sempre não sentir nada. A realidade é que antes do jogo sinto muito, não é nunca uma situação normal, voltar a casa e a um sítio onde fui feliz, mas durante o jogo abstraio-me completamente e é isso que espero fazer no jogo em Madrid», acrescenta.