Nas últimas semanas enquanto treinador do Sporting, Ruben Amorim havia alertado para a valia de dois adversários ingleses que os leões iam enfrentar na Liga dos Campeões.
Se contra o campeão inglês o leão mostrou ao velho continente ter armas para ser tão grande como os maiores da Europa, nesta terça-feira curvou-se diante do vice-campeão de Terras de Sua Majestade.
Quase 14 meses e 31 jogos depois, o Sporting voltou a perder em casa, caindo com estrondo (1-5) numa noite em que foi, como há muito não se via, totalmente dominado na primeira parte.
Se por um lado é verdade que teve pela frente uma equipa de outra realidade, é inevitável dizer que o campeão nacional mostrou fragilidades que poucos suspeitariam sequer que existissem.
A meio da primeira parte, o jogo já se pintava de vermelho, com os Gunners a vencerem por 2-0 com golos de Martinelli e de Havertz. Em ambos, a linha defensiva dos leões deixou muito a desejar.
Mas não foi só no setor mais recuado que o Sporting falhou. No meio-campo, Hjulmand e Morita foram escassos para o trio formado por Odegaard, Partey e Rice. Por culpa própria – timings de pressão errados – mas sobretudo pela falta de apoio que Edwards não consegue dar na ausência do lesionado Pedro Gonçalves, naturalmente ainda mais importante em jogos deste cariz.
Na frente, mais do que ser alvo de uma marcação eficaz, Gyökeres foi poucas vezes servido. E, aí, entra a tremenda capacidade que os Gunners tiveram de condicionar a construção dos leões, que só na reta final da primeira parte, com os visitantes sentados sobre uma vantagem algo confortável, conseguiram chegar de forma mais consistente à grande-área contrária.
Numa altura em que parecia mais focado em fechar os caminhos da baliza de Raya, o Arsenal acabou por fechar o primeiro tempo da melhor forma possível: com o 3-0 e o destino da noite escrito pela cabeça de Gabriel Magalhães.
Restava ao Sporting arrancar a segunda parte da melhor forma possível para reentrar minimanente na discussão.
E, ainda que com os mesmos onze dos 45 minutos iniciais, o leão voltou à sua natural pujança. Morita testou a atenção de Raya e, logo a seguir, Gonçalo Inácio reduziu e alimentou a crença de um Estádio José Alvalade que nos últimos anos se habituou a testemunhar algumas das maiores proezas da história recente de um clube que por vezes consegue tão grande como os melhores da Europa.
Encostada às cordas, a equipa Mikel Arteta tinha dificuldades para ter a bola durante longos períodos. Com bola, na reação à perda e na capacidade para causar a dúvida no adversário o Sporting foi tudo aquilo que não fora na primeira parte.
Mas, defensivamente, continuou a ser demasiado inconstante.
Naquele penálti cometido por Diomande sobre Odegaard que esteve na origem do 4-1 (convertido por Saka) pouco depois da hora de jogo e também na incapacidade para reagir em auxílio de Franco Israel no 5-1 que colocou um ponto final numa lição de mão-cheia a um leão que espera que esta tenha sido só uma noite má e não a consequência de um estado de orfandade daquela que era a sua peça-chave.
O tempo dirá.