Liga Europa: Nottingham Forest-FC Porto, 1-0 (crónica) - TVI

Liga Europa: Nottingham Forest-FC Porto, 1-0 (crónica)

Dragão correu pela sua vida, mas não foi Robin dos Bosques

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«Corram para as colinas, corram pelas vossas vidas».

A música a que Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maiden - natural do condado de Nottinghamshire - dá a um dos maiores êxitos da banda (Run To The Hills) bem pode ser o ponto de partida para a história desta noite no City Ground.

Neste caso, claro está, não propriamente sobre a invasão inglesa aos indígenas nas 13 colónias da América do Norte. Mas sim à pele que o dragão tinha de vestir para, não rumo às montanhas, mas sim na direção da Floresta de Sherwood, salvar-se da invasão dos ingleses treinados por Vítor Pereira na luta europeia.

Ser Robin dos Bosques perante o plantel estimado como o mais valioso desta Liga Europa.

Mas essa luta pela permanência na prova europeia no City Ground cedo teve danos para a equipa de Farioli, que cedeu território ao Forest logo a abrir a batalha quando Jan Bednarek foi expulso com cartão vermelho direto após falta sobre Chris Wood (substituído com queixas no joelho direito um pouco mais tarde). Danny Makkelie, depois de ver as imagens, expulsou o polaco. Estavam decorridos apenas oito minutos.

A entrada na floresta inglesa começava com um tropeção. Já depois de um outro no Dragão, numa eliminatória que tinha começado bem com o golo de William Gomes e ficou empatada a meio após a infelicidade de Martim Fernandes.

E, como por vezes um mal nunca vem só, o dragão sofreu golo quatro minutos depois. A bola rematada por Morgan Gibbs-White desviou em Pablo Rosario, traiu Diogo Costa e acabaria por ser decisiva para afastar o FC Porto do sonho de voltar a fazer história na Liga Europa, 15 anos depois de Villas-Boas como treinador em Dublin. E de nova possível final lusa com o Sporting de Braga, que à mesma hora aplicou uma reviravolta épica em Sevilha.

Farioli, entre um mal e o outro, já tinha colocado Kiwior e Alan Varela a aquecer, mas optou – já com Rosario recuado para central – por nada mudar até ao intervalo, que chegou com o 1-0 e um FC Porto refém dos acontecimentos, numa primeira parte quase de sentido único, ainda que Moffi e William, logo a abrir o jogo, tenham criado perigo no mesmo lance. Depois, o Nottingham conseguiu controlar até ao intervalo, criou um par de sustos, mas o FC Porto foi-se conseguindo defender. Hutchinson e Domínguez cheiraram o 2-0, mas sem sucesso. Em cima do intervalo, um livre de Gabri Veiga desviado por Alberto Costa ao primeiro poste na área não teve seguimento ao segundo.

Mas acabaria por ser um sinal para o que aí vinha.

Mesmo com menos um – e porque era mesmo necessária uma resposta diferente depois de quase 40 minutos sem perigo na frente – o FC Porto surgiu com Moura, Kiwior, Alan Varela e Froholdt para a segunda parte e a ligeira alteração estrutural na equipa trouxe melhorias.

E o empate que faria o FC Porto igualar a eliminatória, por fim, bateu na trave. Por duas vezes.

Já Diogo Costa tinha salvado o 2-0 perante Igor Jesus (51m) quando William Gomes, a cruzamento de Fofana, atirou a bola ao ferro (57m), o mesmo onde, mais tarde, bateu o remate de Alan Varela (84m).

O FC Porto correu pela sua vida, tentou ser Robin dos Bosques perante os azares e adversidades contra os mais ricos. Mas fica pelo caminho, numa eliminatória em que os dragões podiam ter trilhado um caminho bem mais feliz, mas que acaba acentuando também o histórico negativo em Inglaterra, onde os azuis e brancos nunca venceram em 25 jogos.

Do outro lado, uma vitória dedicada a Elliot Anderson, que perdeu a mãe e foi baixa. «A família primeiro. Estamos todos contigo», dizia uma camisola do médio, mostrada numa fotografia conjunta tirada pelos colegas, em pleno relvado.

A outra «famiglia», a portista, volta a casa de olho na Liga e na Taça, já sem o sonho europeu.

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