Se, na época passada, o Hearts se tivesse cruzado no caminho do Benfica nas competições europeias, os adeptos das águias teriam, certamente, encarado o duelo com alguma prudência. Afinal, a equipa de Edimburgo lutou, literalmente, até ao último segundo pelo título escocês, perdido para o Celtic, e deixou em suspenso um país habituado à hegemonia dos gigantes de Glasgow.
Só que, de junho até hoje, muita coisa mudou no histórico emblema da capital da Escócia. A começar pelo treinador, Derek McInnes, que se mudou para o Rangers e levou consigo o goleador da equipa, Lawrence Shankland, e o médio Cameron Devlin. A estes juntou-se o defesa-central austríaco Michael Steinwender, que rumou ao Bochum, da II Liga alemã.
O plantel sofreu uma mudança profunda este verão e entre os que chegaram está Amadou Ba-Sy, possante avançado francês que em Portugal disputou a Liga pelo Vizela e a Liga 3 pela Académica.
O sucesso tem os seus custos e para o Hearts estas foram mexidas a mais, a avaliar pelo arranque de temporada em 2026/2027.
Sob o comando do belga Wouter Vrancken, contratado ao Sint-Truiden, os Jambos perderam os três jogos que disputaram esta época e, pelo caminho, deixaram cair por terra o sonho de chegar à fase regular da Liga dos Campeões.
A eliminatória com o Sturm Graz revelou-se um desastre (derrota por 6-0 no agregado) e, na estreia na Liga escocesa, o Hearts permitiu a reviravolta ao Aberdeen, perdendo por 2-1 com dois golos sofridos nos últimos minutos do encontro.
Esses resultados refletem as dificuldades da equipa em virar a página de uma temporada inesquecível. E a saída do guarda-redes Alexander Schwolow para o Mainz, após o adeus à Champions, também não ajuda a consegui-lo.
Uma equipa muito britânica
Em campo, o Hearts adota um 4-4-2 perfeitamente identificável e um tanto ou quanto previsível. No momento ofensivo, os extremos movimentam-se para zonas interiores, abrindo espaço para a subida dos laterais.
A goleada sofrida na Áustria (4-0), na primeira mão da segunda pré-eliminatória da Champions, pode levar Wouter Vrancken a adotar outro tipo de cautelas na Luz, na quinta-feira, mas a equipa foi pensada para jogar no bom velho estilo britânico.
Ele reconhece-se também na insistência no jogo direto, muitas vezes adotado para mascarar as dificuldades na construção a partir do setor mais recuado. Aliás, até nos lançamentos de linha lateral o Hearts procura despejar bolas diretamente na área contrária, dando uma forte dimensão física ao seu jogo.
No ataque, a qualidade técnica do português Cláudio Braga é uma espécie de oásis numa equipa, sobretudo, lutadora.
Dificuldades na transição defensiva
Além dos problemas notórios na construção dos lances ofensivos, o Hearts também sofre bastante na transição defensiva, expondo-se em demasia e permitindo vários contra-ataques perigosos aos adversários.
A ligação entre setores é um dos pontos a trabalhar por Wouter Vrancken, que tem pela frente uma missão exigente para recolocar o emblema de Edimburgo no trilho do sucesso.
O favoritismo do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga Europa é inequívoco, mas tem de ser comprovado em campo. A primeira mão joga-se na quinta-feira, no Estádio da Luz (20h00), uma partida que pode acompanhar, ao minuto, pelo Maisfutebol.