O Sp. Braga fez o que lhe competia, carimba o seu favoritismo e está na 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa. Mas, para ultrapassar os búlgaros do Levski (1-0) os guerreiros tiveram de sofrer mais do que seria de esperar. Foi preciso um golpe acrobático de Fran Navarro, já no prolongamento, para colocar os bracarenses na órbita do Cluj, na próxima eliminatória da prova.
Após o nulo da 1.ª mão, em Sofia, num relvado deficitário e num ambiente adverso, esperava-se outra face dos bracarenses a jogar no seu reduro. Puro engano. Entre a preocupação constante de organização, o cumprir nas quatro linhas dos desenhos táticos pensados por Carlos Vicens transportou os guerreiros para um cenário de desconforto. Pareciam amarrados à tática e desprovidos de autorização para fazer soltar o talento.
Resultado: Um jogo que arrancou bocejos às bancadas, incerteza no resultado e necessidade de se jogar mais meia hora para definir o vencedor. Já com um ponta de lança em campo, Fran Navarro decidiu o jogo com um grande golo. Sandro Vidigal traçou o cruzamento da esquerda, todo no ar o espanhol atirou para o fundo das redes num pontapé de bicicleta que fez a pedreira respirar de alívio. Grande golo do espanhol a resolver a eliminatória.
Puxando a fita atrás, no segundo jogo oficial da época, o primeiro na pedreira, Carlos Vicens apostou numa receita em tudo semelhante à do jogo da 1.ª mão. Duas alterações num onze em que voltou a pontuar um meio campo muito povoado. Niakaté apareceu na defesa, enquanto que Roger jogou no ataque juntamente com Ricardo Horta, num Sp. Braga sem qualquer referência ofensiva.
Sem permitir grandes movimentações ofensivas ao adversário dos Balcãs, a realidade é que a superioridade do Sp. Braga acabou por não ter a expressão que seria de esperar. Os guerreiros tiveram mais bola, foram mais perigosos, mas sem imporem essa mesma supremacia de forma inequívoca.
Um cabeceamento de Niakaté a tirar tinta à trave logo nos minutos iniciais ainda serviu de falsa promessa para uma noite em que o conjunto luso confirmaria o favoritismo que o nulo da 1.ª mão, de certa forma, escondera. Na pedreira o cenário não foi muito distinto do jogo disputado em Sofia.
Uma bola parada ou outra, cruzamentos a atravessar a área ou remates de fora da área era o que a equipa de Vicens conseguia. Frente a um Levski organizado, com rasgos em contragolpe muito esporádicos, jogaram-se mais noventa minutos enfadonhos. Após 180 minutos de nulo, teve de se recorrer a prolongamento.
Foi aí, já fora de horas, que Fran Navarro fez a diferença com um grande golo. Foi preciso uma acrobacia para mexer com o jogo. Noite vitoriosa para as equipas lusas nas competições europeias, o Sp. Braga avança para a próxima fase, em que vai medir forças com os romenos do Cluj.
A FIGURA: Fran Navarro
O Sp. Braga apresentou-se a jogo sem uma referência ofensiva. Com o cronómetro evoluído, já a encaminhar-se para a reta final, Fran Navarro foi lançado para resolver, ao minuto 79. O espanhol marca o primeiro golo oficial da época, o momento da noite, não só porque decidiu a eliminatória, mas também pelo seu virtuosismo. Grande momento, a coroar a exibição de Fran Navarro.
O MOMENTO: golo do Sp. Braga (104)
Um grande golo a contrastar com uma noite de futebol pouco convincente. Com um pontapé de bicicleta bem delineado, Fran Navarro resolveu a eliminatória, fazendo o Sp. Braga seguir em frente. Sandro Vidigal tirou o cruzamento da esquerda, na área o espanhol rematou com o pé esquerdo. Um gesto técnico perfeito a resultar num grande golo com caráter decisivo.
NEGATIVO: Sp. Braga pouco oleado
O Sp. Braga fez o que lhe competia e segue em frente na Liga Europa. Deixa para trás o Levski de Sofia, mas a realidade é que no cômputo das duas mãos o conjunto português mostra estar ainda pouco oleado. Precisou de 194 minutos para abanar as redes adversárias.