Arouca-Benfica, 1-2 (crónica) - TVI

Arouca-Benfica, 1-2 (crónica)

Do sofrimento ao êxtase: Benfica vence o Arouca no último suspiro

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Pela terceira vez nesta segunda volta do campeonato, o Arouca segurou até perto do final um resultado positivo frente a um dos grandes do campeonato, mas o Benfica, numa exibição em que foi do oito ao 80, assinou o golo da vitória (2-1) nos últimos minutos do encontro. Um encontro globalmente dividido, que durante grande parte da partida poderia ter caído pra qualquer um dos lados, mas, no final, um grande pontapé de Ivanovic levou o Benfica a somar mais três pontos.

Em relação às escolhas iniciais, Vasco Seabra promoveu uma única alteração, com o regresso de Javi Sánchez ao onze e a saída de Popovic. No Benfica, foram efetuadas quatro alterações, com as entradas de Bah, António Silva, Barreiro e Lukebakio para os lugares dos lesionados Otamendi e Enzo, além de Dedic e Prestianni. Ambas as equipas apresentaram-se nos seus habituais 4x2x3x1, defendendo em 4x4x2.

«I really had a blackout»

A primeira música do álbum «Blackout», precisamente com o mesmo título do álbum, é um dos vários sucessos dos Scorpions, a banda de hard-rock alemã bastante acarinhada pelo público português. A letra da música relata o dia de uma ressaca e aplica-se, com a devida distância, ao primeiro tempo deste encontro.

Pouquíssimos minutos após o arranque da partida, um primeiro “apagão”. Minuto três do encontro, onde o Arouca saiu a jogar e manteve a bola até criar aí a primeira chance do jogo, com um cabeceamento de Barbero a ser desviado para canto. Contudo, o desvio em questão foi na mão de António Silva. O VAR chamou o árbitro José Bessa e, no regresso, confirmou a grande penalidade, a primeira a favor dos arouquenses nesta época desportiva. Na conversão, Barbero chegou-se à frente e bola para o lado esquerdo, guarda-redes para o outro. Quinto golo de Barbero para o campeonato.

Daí em diante, as bancadas apelavam a uma atitude forte dos encarnados, como uma “pedrada” hard-rock. Mas o que se viu foi um “apagão”. O Benfica foi tendo bola e registou aproximações à baliza de Arruabarrena, mas, para além da atitude parecer pouco convincente (levando a protestos dos milhares de adeptos encarnados), os Lobos de Arouca continuavam a estar confortáveis em campo, batendo com relativa facilidade a pressão encarnada.

Regra-geral, a maioria das oportunidades do Benfica surgiu através de cantos e, aí, a fórmula foi sempre a mesma: cruzamento para o segundo poste, onde a defensiva arouquense tem menor número de homens. Os arouquenses foram conseguindo intercetar esses tentos, mas com maior dificuldade do que na bola corrida. De tanto insistir, surgiu a primeira grande oportunidade, por Bah, pela meia hora de jogo.

Nesse mesmo período, Barbero teve na cabeça a chance de fazer o 2-0, mas falhou o alvo. Foi a primeira chance dos arouquenses em algum tempo, mas que recompensou uma boa organização dentro de campo, que privilegiou a bola no pé ou então, na resposta às bolas paradas encarnadas, a rápida transição.

O Benfica ia somando cantos, mas só à entrada para o intervalo é que voltou a somar perigo. Rafa, a jogar contra o clube contra o qual mais golos marcou na sua carreira, tentou fazer o gosto ao pé por duas vezes. Na primeira, atirou ao lado, mas na segunda, e depois de tirar Arruabarrena da frente, fez abanar as malhas laterais.

Ao intervalo, a sensação que ficou foi de que o resultado se adequava, pela organização arouquense, mas também pela falta de maior proatividade ofensiva dos encarnados. Schjelderup, à imagem do que vem sucedendo, foi o único elemento positivo de uma frente de ataque onde Lukebakio andava a passo, Rafa somava erros e Pavlidis acusa o desgaste dos mais de 40 jogos que tem nas pernas.

De tanto insistir, uma delas havia de entrar

No regresso dos balneários, foram os da casa quem voltaram a estar perto do golo, num lance onde Lee Hyunju, numa recarga, tinha tudo para marcar, mas Trubin esticou-se para negar o segundo aos Lobos. Mas o Benfica, de tanto insistir nos cantos, conseguiu mesmo marcar nesse momento: minuto 50, canto para os encarnados após grande defesa de Arruabarrena a remate de Lukebakio. Schjelderup bateu o canto e meteu a bola na zona do segundo poste, onde Ríos, completamente solto de marcação, cabeceou para o fundo das malhas.

O golo alimentou a vontade do Benfica, com Pavlidis e Schjelderup a cozinharem duas ocasiões de golo pouco antes da hora de jogo. Daí em diante, o jogo ficou mais partido, com o Arouca a conseguir respirar como no primeiro tempo, batendo com qualidade e facilidade a pressão encarnada que, mais uma vez, se mostrou estrategicamente pouco calibrada, conseguindo até roubar bolas aos encarnados em zona subida do terreno. Numa das incursões de Fukui, atirou para defesa apertada de Trubin.

À entrada para o quarto de hora final, surgiram as substituições e os arouquenses foram aproveitando para queimar tempo sempre que possível, tentando a todo o custo preservar o resultado no marcador. O jogo entrava na fase em que o calculismo era o fator-chave para melhor estar em campo. Nandín teve duas chances, mas não conseguiu marcar.

O «patinho feio» vai crescendo

Na reta final do jogo, e à imagem do que sucedeu nos encontros frente a Sporting e FC Porto, o Arouca viu o Benfica fazer o golo da vitória já bem perto do final. Ivanovic, tantas vezes subutilizado, entrou para ajudar ofensivamente e disparou de primeira para o golo da vitória. Na Luz, fez a assistência para o golo do empate. Em Arouca, assumiu ele próprio a autoria.

Nota final para os ânimos exaltados após o golo encarnado, levando à expulsão de Trezza e Dedic. O Benfica mantém-se coladinho ao Sporting, com 62 pontos, em terceiro lugar, enquanto os arouquenses permanecem, à condição, no 11.º lugar da tabela.

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