Declarações de Vasco Seabra, treinador do Arouca, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Arouca, após a derrota (2-1) com o Benfica, na 26.ª jornada da Liga:
Uma primeira análise ao encontro, com foco na vertente tática
«Eu acho que foi um excelente jogo. Acho que nós nos propusemos ao jogo de forma muito proativa, dinâmica. Tivemos identidade, personalidade, fomos agressivos e intensos no jogo. Começámos muito bem o jogo. O penálti advém do momento em que nós entrámos no jogo a dominar, instalados no meio-campo do Benfica, com o Benfica com dificuldades em pressionar-nos na primeira fase. E isso é que nos permite libertar o Bas (Kuipers) que depois dá o cruzamento e o penálti. Depois, o Benfica naturalmente responde e procura empurrar-nos para trás, sem grande entrada em área, mas realmente muito de cantos e de zonas circundantes da baliza.
Creio que a melhor oportunidade da primeira parte até continua a ser nossa, numa excelente jogada, partida de trás, com o Barbero a aparecer ao segundo poste e a cabecear a rasar o poste. Acho que é a melhor oportunidade da primeira parte, mas penso que o Benfica nos dominou mais territorialmente.
Nós estávamos com alguma dificuldade em conseguir parar a construção e principalmente as variações para o lado, onde estavam o Nais (Djouahra) e o Bas (Kuipers). Ficou-nos a dificultar um pouco, sempre que nós íamos à pressão e nos variavam, éramos um pouco empurrados para trás e isso acabava por dar mais cantos. E, como não conseguíamos pressionar nesse momento, a equipa baixava um pouco.
Na segunda parte, nós corrigimos um pouco isso e corrigimos também o nosso posicionamento em primeira fase, ou seja, mais perto do Nacho (Arruabarrena), porque como o Benfica estava a ter mais remates, nós, através do pontapé de baliza, não estávamos a conseguir sair com tanto critério. As vezes que saímos, saímos bem, mas houve outras em que não estávamos a conseguir sair porque o Benfica estava a amassar individualmente e nós precisávamos de ter a bola para conseguirmos encontrar depois o espaço a seguir.
Dividimos mais o jogo, entrámos melhor do que o Benfica na segunda parte, temos uma oportunidade claríssima para podermos fazer o 2-0, não fazemos, o Benfica acaba por fazer o empate e, depois, acho que o jogo foi muito dividido, duas equipas a quererem ganhar, nós a querermos ganhar, o Benfica a querer ganhar, acho que foi um jogo muito forte até ao final. É injusto, temos mais expected goals (xG) até do que o Benfica no final do jogo. Temos quatro, cinco oportunidades muito claras para podermos marcar.
Acabamos por ter este amargo, principalmente nestes três jogos da segunda volta com os três grandes, acabámos por sofrer no fechar do jogo e é doloroso para a equipa, mas é de um orgulho muito grande. Não vivemos de vitórias morais, vivemos de pontos, não queremos estar sempre a falar que jogamos bem e não temos pontos, portanto, temos de ir buscar estes pontos nos próximos jogos.»
Arouca sofreu golos nos últimos minutos contra os três grandes. Há algo a melhorar ou é apenas sorte?
«Eu acho que são momentos diferentes. Nós contra o Sporting, por exemplo, nós queremos ganhar, porque temos uma transição do Puche que está um contra um com o Gonçalo Inácio, acaba por rematar e, depois, daí sai uma transição que dá o golo do Sporting.
No Dragão, foi um lance de penalti e aqui acaba por ser um lance absolutamente furtuito, faltavam 35 ou 40 segundos para acabar. Chutámos a bola para a frente, não chutámos bem e acabámos por sofrer o golo. Eu acho que a globalidade do jogo é muito boa, às vezes, estes pormenores que acabam por ser fortes magoam muito, mas nós temos de seguir muito confiantes no plantel que temos, muito orgulhosos dos meus jogadores. Agora, é focar naquilo que foi a nossa atitude, o nosso desempenho, porque este desempenho tem é que nos dar pontos nos jogos que faltam para fazermos aquilo a que nos propusemos nesta época.»
Posicionamento do Djouahra defensivamente, formando uma linha de cinco. Teve a ver com o Lukebakio?
«Nós perspetivávamos que pudesse acontecer, não foi uma coisa que mexesse connosco porque não tínhamos a certeza de que poderia acontecer. O Nais (Djouahra) vir para trás teve mais a ver com a construção do Benfica ser mais baixa com o Dahl, ou seja, nós perspetivávamos até que jogasse o Dedic e acabou por jogar o Bah, mas de qualquer das formas não mudou aquilo que foram as intenções. Lateral muito projetado à direita, lateral mais baixo à esquerda, ficar-nos-ia desconfortável em termos de pressão conseguirmos bater com o Trezza a ter que baixar sem ter ninguém para acompanhar.
Então, quisemos que o Trezza, que é também um jogador muito forte no momento de saltar a pressão, pudéssemos rodar, o Nais (Djouahra) é um jogador muito comprometido, tem também muita qualidade para conseguir ir e vir. Rodámos para conseguirmos ser mais fortes a pressão.»
Amargo de boca, mas com orgulho pelo desempenho da equipa
«Sentimos que fomos uma equipa muito proativa, colocamos muitas dificuldades para que o Benfica nos conseguisse pressionar. Fomos muito dominadores em muitos momentos do jogo.
Além disso, por vezes fica-nos a faltar, com as equipas grandes, volume de oportunidades de golo, volume ofensivo em termos de chegada na baliza. Nós tivemos isso hoje, nós conseguimos fazer um jogo muito completo, sendo na construçãoou na criação de oportunidades em finalização.
O amargo de boca é pesado, difícil de digerir, apenas sustentado pelo orgulho na exibição da equipa, pela proatividade que tivemos no jogo e pela forma como nos batemos, competimos, como olhámos nos olhos de um adversário que é forte e grande, mas que nos deu zero pontos. Hoje, frustrados, com o orgulho da exibição. A partir de amanhã, começar a preparar o Moreirense.»