Benfica-Farense, 1-1 (crónica) - TVI

Benfica-Farense, 1-1 (crónica)

Ode ao desperdício

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Se dúvidas ainda existissem para Roger Schmidt, o jogo desta sexta-feira dissipou-as. O estado de graça do treinador alemão, o homem que recolocou o clube na rota dos títulos e o conduziu a uma campanha notável na Liga dos Campeões na época passada, terminou. Ficou provado ao minuto 64, quando o técnico ouviu a ira dos adeptos, manifestação de desagrado que dispensa o recurso a tradução, após tirar do jogo João Neves, numa altura em que o Benfica perdia por 1-0.

Esta até nem foi a noite em que os encarnados terão estado mais desencontrados com o bom futebol, uma constante em 2023/24. Terá sido até aquela em que mais criaram. E o resultado final (1-1) torna óbvia uma conclusão: nunca nesta época desperdiçaram tanto como hoje.

E, se Schmidt é culpado por muito do que tem sido o Benfica desta época, não o será pelo que se viu neste jogo em que as águias remataram 36 vezes e desperdiçaram (pelo menos) uma dezena de ocasiões de golo flagrantes.

Depois de dois empates consecutivos, para a Champions com o Inter e para a Liga com o Moreirense, os encarnados entraram decididos a dar a uma Luz quase cheia uma noite tranquila.

Talvez por ter encarado o Benfica com a coragem de uma equipa que recusa, até não poder fazer outra coisa, defender demasiado baixa, o Farense deu também espaço para que os homens mais criativos dos encarnados brilhassem.

Havia o encantador Ángel Di María à direita, Aursnes acutilante nas subidas pela direita e até Morato arrojado pela esquerda. Mas havia também um desinspiradíssimo Rafa Silva: quase sempre no sítio certo para finalizar, mas incapaz de o fazer com eficácia.

Havia também Ricardo Velho, que fez na Luz a exibição de uma vida e deve-se muito a ele o ponto que o Farense leva para a capital do Algarve.

O golo de Cláudio Falcão aos 51 minutos na sequência de uma bola parada intranquilizou ainda mais os adeptos na bancada e os jogadores lá em baixo. E o ponto de ebulição foi atingido naquele momento em que João Neves foi substituído.

Curiosamente, foi depois disso que a equipa de Roger Schmidt conseguiu pôr fim a uma dezena de minutos de incapacidade para reagir à desvantagem. A entrada de Guedes empurrou ainda mais o Benfica para junto da área dos algarvios que, aí sim, limitaram-se praticamente a defender até ao apito final.

Rafa ainda empatou aos 72 minutos e voltou a desperdiçar mais depois disso. Guedes, Arthur Cabral e Musa também, numa ode monumental ao desperdício.

Não é só azar. É muito mais do que isso, assim como também não é culpa de um só homem o Benfica estar a ver objetivo do bicampeonato escapar-lhe prematuramente das mãos.

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