De Alvalade ao Marquês, uma multidão a gritar «viva o Sporting!» - TVI

De Alvalade ao Marquês, uma multidão a gritar «viva o Sporting!»

Dos festejos na taberna ao convite de Gyökeres a Esgaio para uma dança. As celebrações do bicampeonato do leão prolongaram-se madrugada dentro, recheadas de momentos singulares

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Há 71 anos que Alvalade não celebrava um bicampeonato. Só por si, este facto justificaria uma festa de arromba, que foi «cozinhada» durante um jogo de tensões acumuladas frente ao Vitória, que os golos de Pote e Viktor Gyökeres ajudaram a libertar.

As celebrações arrancaram logo após o final do encontro, em pleno relvado, com Paulinho, figura incontornável nos momentos festivos do leão, a servir de maestro por entre cambalhotas.

Viu-se também Gyökeres, com a voracidade do costume, em corridas desenfreadas de troféu na mão e uma equipa de reportagem improvisada, com Eduardo Quaresma como entrevistador e Gonçalo Inácio responsável pelo vídeo.

Tudo condensado no momento em que Alvalade entoou, em coro, o “We are the champions” da praxe, que os Queen eternizaram e que num dos seus momentos mais empolgantes ensina que é preciso lutar até ao fim para se alcançar a glória suprema. A época do Sporting foi feita à medida para o confirmar.

Sem se descoser sobre o futuro, Gyökeres confessou que «ser campeão no último jogo é incrível», o capitão Hjulmand focou que «uma equipa que consegue ganhar o campeonato com três treinadores é uma grande equipa» e Eduardo Quaresma recordou Ruben Amorim, o treinador que iniciou a caminhada para o título: «Gostava que estivesse aqui, mas agora temos outro. Um abraço».

Ou como melhor resumiu Nuno Santos, que sofreu à distância durante todo o percurso: «Foi uma época difícil, atípica, de lesões e mudanças de treinador, mas faz parte. Não foi uma época fantástica, mas conseguimos ser campeões, que era o objetivo».

A caravana seguiu para o Marquês, pintado de verde e que rapidamente encheu para ver os heróis do bicampeonato. Houve música, acrobacias aéreas, taças gigantes e fogo de artifício. Tudo para manter a multidão entretida, que respondia com palmas e cânticos, enquanto não chegava o momento que a levou ali.

Numa marcha lenta de consagração pelas ruas da capital, o autocarro dos campeões chegou ao palco da festa já passava da uma da manhã. Nesse entretanto, figuras de um passado mais ou menos recente do clube deixavam a sua homenagem aos novos campeões de Portugal. De Cristiano Ronaldo a Nani, passando por Diego Capel ou Sebastian Coates.

A chegada da caravana leonina foi acompanhada de gritos de «bicampeão», por entre muitas das músicas que embalaram o Sporting ao longo da temporada. A liderar a comitiva, o presidente, Frederico Varandas, um dos primeiros a subir ao palco do Marquês, eufórico e de bandeira, verde claro está, em riste.

Seguiu-se a equipa técnica, antes da chamada dos jogadores. Um a um, de Franco Israel ao capitão Morten Hjulmand, ovação sobre ovação, uma loucura pegada, que rebentou com a escala à chamada de Viktor Gyökeres. O sueco respondeu com a famosa máscara, a mesma que Pote, com a bandeira da Suécia às costas, havia imitado instantes antes. Vale tudo neste jogo de persuasão.

Conrad Harder e Iván Fresneda uniram esforços para recriar o festejo eternizado por Cristiano Ronaldo, com a plateia a gritar o «Siiii» que se impunha, enquanto Ricardo Esgaio foi “engolido” pelos companheiros de equipa e viu Pote a gritar o seu nome ao microfone e Gyökeres a cortejá-lo para uma dança, tornando-se numa figura improvável da festa do título.

Hjulmand, acompanhado de Rui Borges, fechou o desfile erguendo a taça de campeão. Um momento apoteótico, que se prolongou durante a entoação do "Mundo sabe que...", com Kátia Guerreiro a definir o tom apoiada por milhares de adeptos em êxtase com os cachecóis ao alto.

Paulinho abriu as hostilidades, de microfone na mão, com um «viva o doutor Frederico Varandas, a pessoa que meteu o clube em pé». A cada frase, os adeptos rejubilavam. Seguiu-se Rui Borges, que não largou a taça de campeão à chegada ao Marquês e ainda ensaiou um discurso, mas Pote não ajudou. Ao discurso, não à festa, entenda-se.

«Obrigado, é pouco para agradecer tudo o que fizeram por este grupo. Obrigado por os fazerem acreditar desde o primeiro dia. Vocês foram as pessoas mais importantes», dizia o treinador, interrompido inusitadamente por Pote para o apelidar de «campeão da tasca». Rui Borges não se mostrou nada incomodado. «Agora vamos todos para a taberna festejar. Bicampeões!», gritava em resposta.

Pote, um dos mais soltinhos da noite, recuperou o «vamos ver...» de há um ano de Amorim, agora apontando ao "tri", enquanto Hjulmand voltou a fazer as contas do título recém-conquistado: «Digam-me uma equipa que ganhou um campeonato com três treinadores. Só nós! Tenho 25 anos e o Sporting não era bicampeão há 71 anos. Quero o Sporting campeão». A plateia deixava-se ir e a euforia instalava-se.

Foi assim até depois das 3:00. Por entre cantorias, agora com o adjunto Luís Neto como intérprete, Pote e Gyökeres arrancaram os últimos gritos da plateia, exibindo o troféu que motivou toda aquela festa.

17 de maio de 2025, dia de Sporting, que arrancou com a subida da equipa B à II Liga e fechou ao ritmo dos festejos da equipa principal pelo 21.º título de campeão nacional. “O mundo sabe que”…

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