Sidney e Diogo Calila marcaram de cabeça os golos que conduziram o Santa Clara ao regresso aos triunfos na Liga ante o Gil Vicente (2-1). Santi levantou o estádio com um golaço, mas reação gilista ficou curta.
Vitória justa do Santa Clara, que soube ser mais eficaz do que o adversário. Num jogo em que os açorianos entraram com cães do canil de Ponta Delgada, Gabriel Silva deixou a criatividade sem trela e foi decisivo no encontro da 9.ª jornada.
A primeira parte foi repartida, com o emblema insular a entrar com a corda toda e determinado a chegar cedo à vantagem. Com Gabriel Silva como um peixe na água, os açorianos precisaram de menos de um quarto de hora para abrir o marcador. O central Sidney ameaçou uma (5m), duas (13m) e à terceira não vacilou: canto na esquerda de Gabriel Silva e ao primeiro poste o defesa brasileiro atirou a contar para o fundo da baliza.
Quarto de hora intenso da equipa de Vasco Matos, a pressionar alto e rápido no ataque. O golo mexeu com as dinâmicas: o Gil Vicente largou as amarras e começou a subir, com Fujimoto a ganhar o seu espaço para poder pensar o jogo. O nipónico serviu Caué no coração da grande área para o primeiro lance de perigo dos gilistas (24m) e três minutos depois, Santi levantou os cerca de 10 adeptos que viajaram de Barcelos até aos Açores com um remate em arco da meia-lua que bateu na trave e entrou na baliza de Gabriel Batista.
Vinicius (30m) e Mboula (33m) rondaram o golo, mas esse só aconteceria aos 38 minutos, com intervenção, mais uma vez, do número 11 do Santa Clara: na esquerda, Gabriel Silva viu a movimentação de Diogo Calila e serviu o lateral de bandeja, com o português a só ter de escolher para onde cabecear.
A primeira parte terminou com o Santa Clara na frente e com o público a dar por bem empregue o dinheiro, numa noite bem fria em Ponta Delgada. Já o mesmo não se pode dizer dos segundos 45 minutos. Chegou a chuva, a temperatura desceu ainda mais e com ela, a qualidade do futebol praticado.
Foi preciso esperar pelos vinte minutos finais para os adeptos aquecerem as mãos com aplausos: enorme «peitaça» de Gabriel Silva a isolar Vinicius, que na raça, conseguiu desviar a bola de Andrew, mas com a baliza à mercê, o remate de Gabriel Silva esbarrou num central.
A partir daí, a partida voltou a aquecer, mas para os lados dos «galos». Num livre direto, Fujimoto errou o alvo enquanto Aguirre, lançado na segunda parte, atirou ao lado em excelente posição na área.
O Gil ia empurrando os açorianos, graças aos alas que estavam a dar asas à equipa de Bruno Pinheiro, Félix na direita e Touré na esquerda. Santi, aos 87m, e Touré, aos 88m, podiam ter definido melhor.
E quem não marca....arrisca-se a sofrer. O futebol é pródigo em ditados e se os há, é por alguma razão. Mas como toda a regra tem a sua exceção, Safira não foi feliz no penálti por si conquistado, já nos descontos e acertou no poste.
Figura: Gabriel Silva
A impressão digital do extremo brasileiro esteve em todos os lances de perigo criados pelo Santa Clara, ontem, diante do Gil. Com influência direta nos dois golos - bateu o canto do 1-0 de Sidney e foi dos seus pés que a bola saiu redodinha para a cabeça de Diogo Calila - Gabriel Silva evidenciou o seu arsenal de opções e foi um quebra-cabeças para a defesa barcelense.
Positivo: atitude das duas equipas
Santa Clara e Gil Vicente encararam o encontro com uma atitude positiva, com ambas as formações determinadas em jogar o jogo pelo jogo. Se o início da primeira parte deixou enregelado o adepto que foi ao Estádio de São Miguel, o resto do encontro foi bem disputado e com bons lances de futebol, de parte a parte.
Negativo: bolas sem pressão
Aconteceu uma, duas, três vezes na meia hora inicial do encontro. O árbitro Anzhony Rodrigues viu-se obrigado a trocar de esférico de jogo em três ocasiões, tudo porque a bola não tinha a pressão obrigatória.