Entrada a medo, com pouca intensidade e meia hora de muita «posse e pouca uva», se pudermos alterar o ditado. Valeu a Rui Borges a eficácia de Geny Catamo, regressado da CAN, que em cinco minutos deu uma vantagem de dois golos à equipa da casa, para alegria dos milhares presentes em Alvalade.
A segunda parte teve um início de maior calibre, com as duas equipas a ficarem perto do golo. Nota para o regresso à competição (na equipa A) de Daniel Bragança e a ovação recebida das bancadas, não apenas na substituição mas também no golo que saiu do pé direito do médio. Três pontos ficam em Alvalade e há aproximação ao líder da Liga, ainda que à condição.
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Com cinco novidades no onze inicial e a vontade de fazer esquecer a derrota nas «meias» da Taça da Liga, o técnico dos leões viu a equipa entrar algo adormecida e um adversário atrevido, sobretudo pelo corredor direito.
Livolant dispôs do primeiro remate do jogo, mas o desvio em Fresneda impediu que a bola levasse o caminho da baliza defendida por Rui Silva. O guardião dos leões acabou por ser um mero espetador até ao intervalo. Do outro lado, o (normalmente) inspirado Luis Suárez teve três ocasiões para tentar o 16.º golo na Liga, só que a pontaria do colombiano deixou muito a desejar.
A verdade é que o Sporting mostrou algumas dificuldades para acelerar o jogo no momento da construção e foi permitindo ao Casa Pia adiar um golo que o pudesse desbloquear. Com uma linha de cinco e outra de quatro, a turma de Álvaro Pacheco mostrou solidez defensiva no primeiro tempo e foram poucas as ocasiões de real perigo para a baliza de Patrick Sequeira.
Já em cima dos últimos dez minutos do primeiro tempo, Luís Guilherme teve tudo para se estrear também a marcar pelos leões, só que o desvio não levou a direção da baliza e perdeu-se uma ocasião de golo clamorosa. Ora, não marcou o reforço de inverno, acabou por marcar um «reforço» de janeiro e que muita falta fez a Rui Borges.
Tudo aconteceu após um contra-ataque conduzido por Trincão, que viu Geny Catamo solto no corredor direito e o resto é o movimento típico do moçambicano. De fora para dentro, o camisola dez dos leões rematou de fora da área e beneficiou de um desvio em David Sousa para fazer o 1-0 em Alvalade.
Nunca o termo «ketchup» fez tanto sentido na vertente futebolística, já que o primeiro golo de Geny serviu para mudar o rumo do jogo e até ao 2-0 foi apenas uma questão de tempo. Gonçalo Inácio viu um jogador onde mais ninguém viu e lá apareceu novamente o autor do primeiro golo. No frente a frente com o guardião brasileiro, o pontapé saiu junto ao poste esquerdo e lá beijou as redes da baliza.
O segundo tempo arrancou com ocasiões de perigo para ambos os lados, com Livolant a destacar-se do lado visitante, à semelhança do que já tinha também feito na primeira parte. Do outro lado apareceu Trincão, que a passe de Luís Guilherme falhou de forma escandalosa à frente da baliza, após defesa incompleta de Sequeira.
Seguiu-se o momento da noite, sobretudo na vertente emocional. Daniel Bragança já tinha sido utilizado na equipa B dos leões e teve o regresso merecido à competição, na equipa principal. Uma enorme ovação para o camisola 23, que além das palmas recebeu a braçadeira de capitão, entregue por Gonçalo Inácio.
Nota para o regresso de Debast aos relvados após uma paragem longa e um golo anulado ao Casa Pia por posição irregular de Nhaga. Até final, Clau Mendes deixou os gansos reduzidos a dez elementos, após um vermelho direto mostrado devido a uma agressão sobre Vagiannidis.
Este triunfo é importante para os leões, que reduzem (à condição) a distância para o FC Porto na liderança da Liga e fogem, também com esse detalhe, ao Benfica no segundo posto.