Lisboa poderá enfrentar até 50 dias por ano com temperaturas acima dos 35 °C até meados do século, alertam especialistas em urbanismo e sustentabilidade ouvidos pelo Diário de Notícias. Segundo o jornal, um grupo de trabalho multidisciplinar traçou um diagnóstico climático da capital e propôs um plano de regeneração urbana até 2050, com metas a curto e médio prazo.
O documento, já enviado à Câmara Municipal de Lisboa, propõe transformar a cidade numa “cidade-esponja”, com infraestruturas ecológicas que promovam a retenção de águas pluviais, aumentem a cobertura vegetal e reduzam o efeito das ilhas de calor.
Com mais de 10 mil hectares de área urbana, Lisboa tem cerca de 4 mil classificados como espaço verde, mas a distribuição é desigual, numa assimetria agrava as desigualdades térmicas e sociais, com impacto direto na saúde pública, sobretudo entre a população idosa.
O plano defende ações a nível de bairro, com envolvimento comunitário, revisão de regulamentos urbanísticos, incentivos à inovação verde e novos critérios para construção e reabilitação. Apesar dos avanços nos diagnósticos, os peritos alertam para a fraca execução dos planos existentes.