O presidente do PSD, Luís Montenegro, remeteu esta quinta-feira para o Partido Socialista (PS) eventuais explicações sobre as buscas da Polícia Judiciária na Câmara de Lisboa, realizadas na terça-feira.

“Neste momento, quem tem de responder às questões suscitadas nesses processos é o Partido Socialista, são os anteriores presidentes da Câmara Municipal, porque os factos, tanto quanto pude perceber das notícias que foram veiculadas, dizem respeito a mandatos anteriores”, disse Luís Montenegro, à margem de uma visita à praia da Cova, na Figueira da Foz, distrito de Coimbra.

“É ao Partido Socialista e aos anteriores presidentes da Câmara Municipal de Lisboa que o assunto deve ser, neste momento, direcionado e questionado”, reafirmou.

O líder do PSD disse ainda lamentar que esteja a haver “tantas dúvidas acerca da legalidade e da conformidade de procedimentos em tantas instituições públicas, nomeadamente em tantas autarquias locais”.

“Mas, por outro [lado], também, ver nisso um sinal de que o Estado de Direito funciona e a justiça funciona. E aquilo que me apraz dizer nesta altura é que as investigações sejam levadas até às últimas consequências, e sejam apuradas responsabilidades se houver lugar a elas”, argumentou Luís Montenegro.

A Câmara Municipal de Lisboa confirmou na quarta-feira a realização de buscas no departamento de Urbanismo da autarquia, mas remeteu mais esclarecimentos para as autoridades judiciais.

“Qualquer esclarecimento deverá ser prestado pelas autoridades judiciais”, disse à Lusa fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa, confirmando apenas as buscas no departamento de Urbanismo.

António Costa rejeita mecanismo de escrutínio a atuais membros do Governo. Montenegro diz-se "estupefato"

Ainda à margem da visita que efetuou esta quarta-feira à praia da Cova, uma zona do concelho da Figueira da Foz bastante afetada pela erosão costeira, Luís Montenegro, acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal Pedro Santana Lopes, reiterou que o atual ambiente e “clima de suspeição” sobre autarcas e governantes “não é positivo para a atividade política, não é positivo para aqueles que prestam serviço de forma honesta em prol das populações, que são a maioria dos agentes políticos”.

“Desse ponto de vista, não vale a pena estar a ignorar que o efeito na confiança dos cidadãos não é positivo”, alertou o líder social-democrata.

“Mas também há um lado que temos de respeitar: é que as instituições do Estado de Direito funcionam e os cidadãos também têm, por esse lado e por essa via, que sentir a segurança de que quem prevarica sofre as consequências. Mas ignorar a questão, naturalmente, não é o caminho correto”, sublinhou.

Na ocasião, Luís Montenegro voltou a falar do tema do questionário para futuros governantes, acusando o primeiro-ministro António Costa de “desvalorizar” o apelo que ele próprio e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinham feito para que os atuais membros do Governo fossem incluídos nesse “processo de monitorização”.

“É com grande surpresa, com grande estupefação, que eu vejo o primeiro-ministro dizer que não é preciso fazer isso aos atuais membros do Governo, responder ao questionário que ele próprio elaborou, porque as declarações dos membros atualmente em funções já foram feitas”, declarou o líder do PSD.

“Isso mostra a desorientação, a confusão, quase a brincadeira com que o senhor primeiro-ministro encara a situação”, acrescentou.

Sobre a TAP, o caso da antiga administradora Alexandra Reis e a audição, quarta-feira, no parlamento, da administradora executiva da companhia aérea, Luís Montenegro disse que foram “muitas horas de audição, mas muitas poucas certezas em relação àquilo que importava saber”.

“E o que importava saber era, exatamente, o que tinha sido decidido, com que fundamento e com que conhecimento. E isso continua a ser uma nuvem que, infelizmente, não é dissipada”, lamentou.

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