"Ao contrário do atual primeiro-ministro, eu só serei primeiro-ministro se ganhar eleições. Isso é ponto de honra": Luís Montenegro, a entrevista à CNN Portugal - TVI

"Ao contrário do atual primeiro-ministro, eu só serei primeiro-ministro se ganhar eleições. Isso é ponto de honra": Luís Montenegro, a entrevista à CNN Portugal

  • CNN Portugal
  • 14 abr 2023, 23:12

Presidente do PSD diz que vai "lutar por uma maioria absoluta" nas próximas legislativas. Admite coligações pré-eleitorais mas os sociais-democratas estão "preparados para ir sozinhos a todas as eleições". Sem nomear o Chega, sublinha que o PSD não vai ter no Governo "nem políticas nem políticos racistas nem xenófobos, nem oportunistas, nem populistas - ou apoio político deles, se quiser". Mas depois nomeia mesmo o Chega: "Eu não estou preocupado em fazer combate político ao Chega, estou é focado em dizer que o porto de abrigo seguro para uma governação alternativa é o PSD". Abre ainda a porta a Rui Moreira

Luís Montenegro garante que "ambiguidade" não é palavra que faz parte do seu léxico e, em entrevista à CNN Portugal, faz ponto de honra sobre o seu futuro no PSD: caso os sociais-democratas não vençam as próximas legislativas deixa a liderança do partido, mesmo que tenha a possibilidade de se coligar à direita para formar maioria - só admite coligações pré-eleitorais e não pós-eleitorais porque quer que os portugueses saibam o que esperar dele, diz. Em 2015, António Costa perdeu as eleições mas tornou-se chefe de Governo por haver uma maioria parlamentar de esquerda.

"Ao contrário do atual primeiro-ministro, eu só serei primeiro-ministro se ganhar eleições. Isso é ponto de honra. O PSD pode até ter uma solução de governo à moda de uma geringonça de direita, não é com a minha liderança. E eu sou muito claro sobre isso. Se eu perder as eleições legislativas não só não formarei Governo, está fora de hipótese, como abandonarei a liderança do PSD."

Depois de explicar que "as europeias são um ciclo que acontece no final do mandato" e que tem a "certeza absoluta" de que vai ser reeleito presidente do PSD em 2024 - "a não ser que aconteça uma catástrofe eleitoral". Montenegro escusou-se a antecipar em três anos e meio a "estratégia política" para as legislativas mas deixou claro que vai "lutar por uma maioria absoluta". Se isso não acontecer, garante, "os portugueses não vão ter um governo que não souberam que era possível ser formado".

"No momento pré-eleitoral, eu vou ser muito claro com o país: o país não vai acordar com um governo que não desejou e que não soube que era possível ser formado. E eu vou dizer isto com as letras todas. Vou lutar pela maioria absoluta, vou desafiar o PS a dizer o que é que fará se algum dos dois grandes partidos não tiver a maioria", afirma. "E depois vou dizer quais são as linhas orientadoras de hipotéticos acordos que possam ter na base uma sustentação parlamentar de um Governo. E quero garantir uma coisa aos portugueses: quero garantir que nós não vamos ter num governo nem políticas nem políticos racistas nem xenófobos, nem oportunistas, nem populistas. Ou apoio político, se quiser", refere. "Nós não vamos ter o apoio político de políticas ou políticos racistas, xenófobos que tenham posições populistas altamente demagógicas. E, sobretudo, eu não quero no meu Governo imaturidade e irresponsabilidade. Para isso já basta, e basta mesmo, aquilo que acontece com o Partido Socialista", afirmou, lembrando o caso TAP - que diz ser a "imagem para tudo o que é o efeito da governação socialista".

Questionado sobre se o afastamento de "políticas racistas, xenófobas, populistas e oportunistas" inferem que a Iniciativa Liberal e o CDS vão ter uma segunda prova de vida, Montenegro afirmou que "naturalmente não se inscrevem nestas características movimentos políticos como o CDS e a Iniciativa Liberal". Então "isso é uma maneira de avisar o Chega de que não vai contar com ele?", questionou Maria João Avillez. "É uma maneira de avisar os portugueses para saberem - os portugueses, que são aqueles a quem eu me quero dirigir - com aquilo que podem contar. Eu não estou preocupado em fazer combate político ao Chega, estou é focado em dizer a muitos eleitores que votaram no Chega e a outras pessoas que hoje dizem em estudos de opinião que podem votar naquele partido que o porto de abrigo seguro para uma governação alternativa é o PSD. É isso que estou a dizer."

No entanto, garante, não exclui "entendimentos" com outros partidos para ir a eleições, apesar de o PSD estar "preparado para ir sozinho a todas as eleições". "Há as eleições legislativas, as eleições europeias e é isso que é a minha função, a minha missão. Se me perguntam 'mas está disponível para poder estudar?, eventualmente conversar com outros partidos acerca de possíveis entendimentos pré-eleitorais?', eu disponível estou. Estou disponível."

No final da entrevista, Montenegro desvendou ainda quem pode ser candidato europeu social-democrata. "Não está escolhido, mas não escondo que tenho por ele uma consideração grande e que o dr. Rui Moreira pode desempenhar várias funções no país - e nós, PSD, também podemos desempenhar a função de liderar a Câmara do Porto."

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