Diretor da PJ diz que há “todo o tempo do mundo” para deter Clóvis Abreu - TVI

Diretor da PJ diz que há “todo o tempo do mundo” para deter Clóvis Abreu

  • Agência Lusa
  • PF
  • 13 abr, 17:07

Em declarações aos jornalistas, Luís Neves desvalorizou as palavras do advogado Aníbal Pinto, que representa Clóvis Abreu e que disse na terça-feira que o seu constituinte estaria disponível para se entregar, mas que não teria sido notificado

A Polícia Judiciária (PJ) tem “todo o tempo do mundo” para deter Clóvis Abreu, o terceiro suspeito ligado à morte do agente da PSP Fábio Guerra e que está desaparecido desde março de 2022, disse o diretor nacional.

“Nós não vamos desistir e temos uma coisa que nem todos têm, que é tempo. Temos todo o tempo do mundo, temos o nosso esforço, o nosso querer, a nossa motivação e que vai naturalmente continuar”, afirmou Luís Neves à saída do Juízo Central Criminal de Lisboa, onde prestou depoimento como testemunha no julgamento dos ex-fuzileiros Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko.

Em declarações aos jornalistas, o diretor da PJ desvalorizou as palavras do advogado Aníbal Pinto, que representa Clóvis Abreu e que disse na terça-feira que o seu constituinte estaria disponível para se entregar, mas que não teria sido notificado.

“Qualquer advogado sabe que o seu constituinte, se se quiser apresentar à justiça, sabe como o deve fazer”, observou, sem deixar de notar que não haveria uma procuração de Aníbal Pinto como advogado de Clóvis Abreu junto do inquérito, e acrescentando: “Vai ser notificado onde? Para Lua? Marte? Júpiter? Onde é que vai ser notificado? Se o Clóvis (e a sua defesa) entender, quando quiser apresentar-se às autoridades, apresentar-se-á”.

Confrontado com o facto de não haver detenção do suspeito, apesar de a sua identidade ser conhecida das autoridades desde os acontecimentos na madrugada de 19 de março de 2022, junto à discoteca Mome, em Lisboa, Luís Neves lamentou a situação e reiterou que “não foi por falta de esforço ou empenho” da PJ.

“Passou um ano, gostaríamos de que aqueles que nós entendemos que têm algo a ver com a prática deste crime de homicídio aqui estivessem a ser julgados, até porque desde logo se ficou a saber quem eram os suspeitos. Não conseguimos alcançar esse objetivo, lastimamos. Não foi por falta de esforço ou empenho, foi precisamente pelo contrário do que o Doutor Aníbal Pinto diz, que é o Clóvis estar pronto a entregar-se quando quisermos”, adiantou.

Em relação ao depoimento enquanto testemunha sem ter conhecimento direto dos factos ocorridos naquela noite, o diretor da PJ criticou implicitamente a chamada de testemunhas sem envolvimento direto no caso e elogiou os agentes da PSP.

“O tribunal avaliará o depoimento. Transmiti uma questão que achei relevante e que estava em causa, que era como agirmos perante situações completamente inopinadas, o que é o caso. É do conhecimento generalizado que aqueles jovens polícias, apesar de estarem desfardados, assumiram as suas funções – foram homens, foram mulheres, foram polícias - e tiveram este desfecho trágico”, resumiu.

Fábio Guerra, de 26 anos, morreu em 21 de março de 2022, no Hospital de São José, em Lisboa, devido a “graves lesões cerebrais” sofridas na sequência das agressões de que foi alvo no exterior da discoteca Mome, em Alcântara, quando se encontrava fora de serviço.

O Ministério Público (MP) acusou em setembro os ex-fuzileiros Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko de um crime de homicídio qualificado, três crimes de ofensas à integridade física qualificadas e um crime de ofensas à integridade física simples no caso que culminou com a morte de Fábio Guerra.

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