México com temperaturas tão elevadas que macacos-bugios estão a cair mortos das árvores - TVI

México com temperaturas tão elevadas que macacos-bugios estão a cair mortos das árvores

  • Agência Lusa
  • AM
  • 22 mai, 06:02
Macacos-bugios (AP)

Embora a onda de calor brutal no México tenha sido associada à morte de pelo menos 26 pessoas desde março, veterinários e equipas de resgate dizem que matou dezenas e talvez centenas de macacos-uivadores

As temperaturas no México são tão elevadas que os macacos bugios estão a cair mortos das árvores, com as autoridades a registarem 83 mortes destes primatas de médio porte no Estado de Tabasco, na costa do Golfo.

Outros foram resgatados por residentes, incluindo cinco que foram levados de urgência para um veterinário local, noticiou a agência Associated Press (AP).

“Chegaram em estado crítico, com desidratação e febre. Estavam moles como toalhas. Foi uma insolação”, contou Sergio Valenzuela.

Embora a onda de calor brutal no México tenha sido associada à morte de pelo menos 26 pessoas desde março, veterinários e equipas de resgate dizem que matou dezenas e talvez centenas de macacos-uivadores.

Na cidade de Tecolutilla, Tabasco, os macacos foram resgatados na sexta-feira, quando um batalhão local de bombeiros e voluntário apareceu com cinco das criaturas.

Normalmente bastante intimidantes, os bugios são musculosos e podem ter cerca de 60 centímetros de altura, com caudas igualmente longas, mandíbulas grandes e um conjunto assustador de dentes e presas. Mas principalmente, os seus rugidos de leão, que desmentem seu tamanho, são o que os torna conhecidos.

“[Os voluntários] Pediram ajuda, perguntaram se eu poderia examinar alguns dos animais que tinham no camião”, acrescentou o veterinário.

Até agora, os macacos parecem estar em recuperação. Antes apáticos e fáceis de manusear, agora estão em gaiolas no gabinete de Valenzuela.

“Estão a recuperar-se. São agressivos e estão a morder de novo”, garantiu, observando que este é um sinal saudável para as criaturas habitualmente furtivas.

A maioria não teve tanta sorte. O biólogo da vida selvagem Gilberto Pozo contou cerca de 83 animais mortos ou a morrerem no chão sob as árvores.

Estes episódios começaram por volta de 05 de maio e atingiram o seu pico no fim de semana.

Pozo atribui as mortes a uma sinergia de fatores, incluindo calor elevado, seca, incêndios florestais e exploração madeireira que priva os macacos de água, sombra e das frutas que comem.

Para a população deste Estado húmido, pantanoso e coberto de selva de Tabasco, o bugio é uma espécie emblemática e estimada. A população local diz que os macacos lhes dizem a hora do dia, uivando ao amanhecer e ao anoitecer.

Pozo contou ainda que a população local – que ele conhece através do seu trabalho com o grupo de Conservação da Biodiversidade do Usumacinta – tem tentado ajudar os macacos que veem nas suas quintas.

Mas alertou que pode ser perigoso transporta-los para casa, porque os animais domésticos “têm agentes patogénicos que podem ser potencialmente fatais para os bugios”.

A equipa de Pozo montou estações especiais de recuperação para macacos – atualmente abriga cinco macacos, mas aves e répteis também foram afetados – e está a tentar organizar uma equipa de veterinários especializados, para dar aos primatas os cuidados de que necessitam.

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