«Pior do que perder, foi perder com três expulsões. Não foi a melhor estreia...» - TVI

«Pior do que perder, foi perder com três expulsões. Não foi a melhor estreia...»

Marco Silva vence no Newcastle-Fulham (FOTO: AP Photo/Dave Shopland)

Marco Silva recorda primeiro jogo como treinador no Estoril, numa época que acabou com o título na II Liga e subida. Treinador do Fulham lembra ainda fase como diretor desportivo e como tudo aconteceu

Marco Silva começou uma carreira de sucesso como treinador do Estoril, mas o primeiro capítulo nesse papel teve contornos de pesadelo. Depois de ter assumido o cargo de diretor desportivo do clube onde acabou a carreira como futebolista, o atual técnico do Fulham substituiu Vinícius Eutrópio à sexta jornada da II Liga 2011/12. A época terminou com o título e a subida à Liga, porém a estreia no banco acabou com uma derrota por 3-1 em Penafiel… e três expulsões (Bruno Andrade, Tiago Gomes e Steven Vitória).

Isso mesmo foi recordado em entrevista à Sky, transmitida este sábado. «Foi um domingo de manhã [ndr: 2 de outubro de 2011], lembro-me do jogo, perdemos e, pior do que perder, foi a forma como perdemos com três expulsões. Não foi a melhor sensação na minha estreia como treinador. Mas, depois, houve paragem das seleções, foi altura de reagrupar, passar informação e começar a passar ideias. Depois disso, foi uma época incrível e depois conseguimos o título e a subida», disse Marco Silva, que nas duas épocas seguintes, na Liga, levou o Estoril ao quinto e quarto lugares, com dois apuramentos seguidos para a Liga Europa, antes de assumir o Sporting em 2014/15.

«É o que alcançámos, mas antes disso, o partilhar de emoções, os momentos em que temos de estar unidos, sem o barulho de fora. Do que me lembro mais, são as emoções que partilhámos uns com os outros, mais do que grandes resultados ou grandes exibições», disse.

O treinador português de 48 anos, que, entretanto, passou por Olympiacos, Hull City e Everton, estando desde 2021/22 no Fulham, recordou como tudo começou para ser diretor-desportivo no Estoril.

«Seis anos antes, já como capitão, a administração e o presidente falaram comigo sobre o futuro, o clube queria que eu estivesse na estrutura. É um clube especial para mim, vai ser sempre e as pessoas que lideravam o clube sentiam que eu podia ajudar de uma forma diferente. Foi um período curto, de cinco ou seis meses, mas foi agradável e desafiante, entusiasmante. Não era o treinador, mas eu peguei nesse trabalho no fim de uma época para preparar imediatamente a outra, provavelmente a altura mais ocupada para um diretor desportivo – junho e julho – e foi um bom período. Fez-me sentir e ver a outra parte do futebol e foi bom», considerou, assumindo que foi importante para o seu conhecimento do futebol e da indústria.

«Sem dúvida, porque tens uma experiência, mesmo não tendo sido um longo período, mas penso que foi mais do que suficiente. Depois, podes continuar nessa direção se quiseres, mas não era o meu objetivo ser diretor desportivo. Eu preparei-me para ser treinador. Mas claro que fiquei orgulhoso com esse convite da administração e o projeto que me colocaram, era uma posição importante no clube», lembrou, antes de recordar quando lhe foi proposto assumir a equipa como treinador.

«Disse diretamente que não, que pensava que não era justo ou a coisa certa a fazer. Da segunda vez, disse não outra vez. E eles colocaram o projeto por completo: “Se não fores tu, vais ficar exatamente como estamos agora, com o pessoal que temos, vais ser o adjunto, porque o proprietário não quer dar-nos orçamento para ir buscar outro treinador”. E acabei por aceitar. Foi uma decisão difícil, provavelmente uma das mais difíceis nesse momento, mas fi-lo porque acreditava nos jogadores, a confiança estava lá e sabia que não tínhamos muitas soluções distintas que me fizessem, como diretor desportivo, sentir confortável e assumi a equipa técnica», afirmou.

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