O trabalho de Tiago Pinto no Bournemouth chamou à atenção do jornal Marca, que apelida o português de «novo Rei Midas do futebol».
O diário espanhol, na edição desta sexta-feira, destaca o percurso de Tiago Pinto, desde o Benfica, passando pela Roma, até à Premier League. «Recebi propostas de grandes clubes de outros países, mas a minha prioridade era trabalhar na Premier League.»
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Tiago Pinto considera que o Benfica foi «o desafio mais difícil» que já teve, porque sentia «uma pressão muito grande» por também ser adepto. Depois de ter trabalhado na Luz, trabalhou com José Mourinho em Itália e considera que os encarnados estão em boas mãos.
«Roma é uma cidade muito quente, mas é difícil reunir todos com o mesmo objetivo, e Mourinho conseguiu isso. (...) Não me surpreende porque o conheço e sabia que ele queria treinar o Benfica de novo. Parece-me uma situação natural: o maior clube para o maior treinador», assinalou.
O Bournemouth apresenta um balanço positivo de 160 milhões de euros entre receitas e despesas com transferências e Tiago Pinto, presidente das operações de futebol do clube inglês, atribui grande parte do mérito ao treinador Andoni Iraola.
«Eu não faço magia. Sou uma pessoa muito normal. (…) Podes ter um clube estruturado, muitas instalações, bons olheiros, uma ótima Academia... Mas se não tens um treinador que junte tudo, não vale nada. É impossível explicar o sucesso do Bournemouth sem falar de Iraola. A forma como jogamos e como isso desenvolveu os jogadores é a grande chave. É fácil dizer que o Huijsen é um grande jogador, mas foi o Andoni quem o fez jogar e crescer na Premier League. O mesmo aconteceu com Zabarnyi ou Kerkez. Muitas equipas querem passar a mensagem de que o clube faz tudo e o treinador não faz nada. Para mim, não é assim», vincou.
O contrato de Iraola termina em junho e Tiago Pinto está «preocupado».
«Estou mais preocupado com a saída de Iraola do que se um jogador importante vai embora. Em fevereiro, quando o mercado fechar, será hora de conversar. Acho que no fim tudo vai acabar bem, mas não estou calmo: é muito difícil encontrar alguém assim.»
Nas duas últimas temporadas, o Bournemouth faturou 376,5 milhões de euros em vendas. Recentemente, transferiu Antoine Semenyo por 72 milhões para o Manchester City e o português ainda considera um valor baixo. «Parece-me pouco. Se ele não tivesse uma cláusula, poderíamos tê-lo vendido por mais dinheiro. É um jogador muito completo, com uma capacidade física incrível.»
«Vendemos bem, mas não porque eu seja bonito, e sim porque a equipa joga bem e terminou em nono lugar na Premier League. (…) Nos próximos anos não precisaremos de vender tanto. A ideia é alcançar a estabilidade na Premier League que nos permita sonhar um pouco.»
Tiago Pinto admite que «ficaria feliz se um dia tivesse a oportunidade de trabalhar na Espanha» e aponta também um espanhol entre as operações que mais gozo lhe deu fechar.
«É muito difícil. Fazem-me essa pergunta muitas vezes e dou respostas diferentes. As pessoas esperam que eu diga Dybala ou Lukaku, mas, para mim, a renovação de Grimaldo, que me levou nove meses, é uma das mais importantes da minha carreira. Ele estava livre e, embora quisesse continuar, acho que não se sentia amado porque o Benfica, nos seus primeiros anos, não melhorou o seu contrato. Hoje ele é um lateral top.»
Por fim, o antigo diretor geral do futebol também fala do caso de João Félix, que vê como um jogador «especial» e explica o que falhou na carreira do internacional português.
«Ele era muito jovem e, talvez, depois de uma temporada na equipa principal do Benfica, ele não estivesse pronto para uma transferência assim. Acho que, com todo respeito ao Atlético e ao treinador, ele é um jogador que precisava de ser gerido de uma forma diferente. É especial. As pessoas podem pensar que custou caro, mas ele ajudou o Atleti a vencer uma liga com golos importantes. Adoro-o, mas trocar tanto de clube não o ajudou», concluiu.
As maiores vendas de Tiago Pinto no Bournemouth: