O Maisfutebol tinha dois anos quando nasci: como é viver na era do imediato - TVI

O Maisfutebol tinha dois anos quando nasci: como é viver na era do imediato

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O futebol muda. O jornalismo muda. As gerações mudam. Sou um jovem, não me julguem, mas são 25 anos de Maisfutebol (e não só) ao olhar de um jornalista que já nasceu com a Internet

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Para mim era impensável esperar pelo dia seguinte para saber as notícias de hoje!

Sou um jovem, é verdade, não me julguem, mas estou habituado a receber a informação logo no momento em que a mesma acontece.

Já são 25 anos de Maisfutebol. Eu tenho 23, nasci numa altura em que o jornal já existia. É engraçado chegar aqui, começar a trabalhar e perceber que ainda andava de fraldas e já havia jornalistas no terreno, a seguir vários jogos e à procura das notícias mais frescas.

Sou um jovem, é verdade, não me julguem, porém não deixo de ser um apaixonado por este desporto. E esta modalidade, que tanto e a tantos encanta, não existia sem os jornais. Mas não vamos por aí.

Sou um jovem adulto. Trabalho na área e consigo notar as diferenças nas mentalidades das diferentes gerações. 

Dizem-me sempre: «Ah, nunca leste um jornal em papel». Como se fosse uma ofensa, brincam eles.

Mas eu li. E várias vezes. Lembro-me quando era miúdo, chegar à praia no verão e pedir 1,20€ ao meu pai para comprar um jornal (em papel, sim!). 

Sentava-me depois de um belo mergulho e ficava a ler as inúmeras páginas. É o Jorge Jesus que vem para o Benfica? É o Hulk que marcou mais um golaço de livre? Ou o Liedson que voltou a fazer das suas?

Adorava. E nunca o vou esquecer.

Mas a verdade é que quando comecei a utilizar a Internet, e foi cedo, admito, o papel deixou de ser tão utilizado e a informação passou a ser recebida através de um ecrã.

Éramos miúdos (ainda somos, não?). O que interessava era o futebol do momento. Íamos para a biblioteca da escola ver highlights do Neymar no Brasileirão, os golaços do Cristiano Ronaldo ou as fintas infindáveis do Messi.

Passávamos horas a ver aquilo e sabíamos tudo de cor e salteado.

Nos intervalos da escola jogávamos à bola e imitávamos o que víamos. Obviamente que os pés não faziam tanta magia, mas lembro-me de reencarnar o prime Marcelo e brilhar na hora de almoço. 

Era assim que vivíamos o futebol. 

Antigamente era diferente. Obviamente que jogavam à bola na escola, mas olhando para trás, percebemos que a informação não era instantânea. Os «velhos» (são eles que o dizem, não sou eu) não sabiam logo dos golos do Futre no At. Madrid ou da transferência de Rui Barros para a Juventus.

Sabiam isso no dia seguinte.

Agora sabemos tudo no momento. Recebemos uma notificação do Maisfutebol. Abrimos, olhamos e pronto. Talvez não se dê tanta importância às notícias como antigamente. Um golo do Peyroteo era falado por uma semana. Só hoje, já recebi cinco «ÚLTIMA HORA».

Mas no fundo gostamos disso. Porque quanto mais… melhor! É viciante, não? Queremos sempre mais e não ficamos saciados apenas com a notícia do resultado do Alemanha-Portugal. Precisamos de saber o que aconteceu no final da partida. Ficamos felizes por ver a fotografia do Pavlovic com o «ídolo» Cristiano.

Isto porque o nosso cérebro já está formatado para receber mais (e mais rápida) informação.

Mas nem oito, nem oitenta. Porque a nova geração (a mais recente das recentes, atenção) já não suporta assistir a um jogo de 90 minutos. A culpa? Não sei, mas a «era do Tiktok» talvez tenha afetado a comercialização do desporto e agora apenas os vídeos de 10 segundos são aprazíveis. 

Hoje em dia, o porreiro é o Yamal, o Haaland e o Mbappé.

São gerações. Eu também não vi o Van Basten jogar. Não vi o Higuita a defender à escorpião. E ainda era muito novo quando o Zidane deu uma cabeçada no peito de Materazzi. Não assisti a estas coisas todas, mas não deixo de gostar do desporto. Vi depois. Li depois.

São gerações e a maneira como se consome o futebol vai mudando. O importante é aceitar a mudança e viver bem com ela. Tal como fazemos aqui no Maisfutebol.

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