Estão a ser organizadas duas manifestações contra o Governo de António Costa para esta quinta-feira. Uma delas à porta da Sede Nacional do Partido Socialista (PS), no Largo do Rato, em Lisboa, e a outra em frente à Federação Distrital do PS no Porto. Estão ambas agendadas para as 19:00. 

Com o lema "Governo Socialista: Out", estes protestos estão a ser organizados em pelo menos dois grupos privados no WhatsApp. A CNN Portugal falou com um dos organizadores das manifestações, cujo objetivo é pedir explicações e fazer pressão política após "tantos casos e casinhos" no executivo de maioria socialista.

"Isto começou com um grupo de amigos, jovens portugueses, lisboetas, todos empregados em várias áreas, que decidiu, depois do que se passa neste Governo, de tantos casos e casinhos, que há pouca transparência. São precisas explicações, é preciso escrutínio e se não formos nós, quem é que vai criar pressão política?", questionou. 

Depois de 13 demissões - 11 delas políticas, outras duas por motivos pessoais ou de saúde - em apenas nove meses de Governo, este grupo de jovens decidiu "dispensar uma tarde para fazer qualquer coisa pelo país". 

Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar, em Lisboa são esperadas cerca de 1.800 pessoas e no Porto entre 150 a 200 manifestantes. Apesar do elevado número de participantes, este "movimento apartidário", segundo se apresenta, tem apelado a um protesto "completamente pacífico". Para criar "maior impacto e visibilidade" vão fazer-se acompanhar de buzinas, megafones, bandeiras de Portugal, tambores e cartazes.

Um dos organizadores garantiu à CNN Portugal que tanto a Polícia de Segurança Pública (PSP) como as câmaras municipais de Lisboa e Porto já foram formalmente informadas sobre a realização destes protestos. À CNN Portugal, a PSP confirmou ter conhecimento dos protestos, acrescentando ainda que não estão previstas restrições ao trânsito. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) também afirmou ter sido formalmente informada. 

A última demissão envolta em polémica no Governo socialista foi a da ex-secretária de Estado da Agricultura que esteve apenas esteve 25 horas e 54 minutos no cargo. Carla Alves demitiu-se depois de se saber que tem contas bancárias conjuntas arrestadas, uma vez que o marido foi acusado pelo Ministério Público dos crimes de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio.

Cláudia Évora