O ministro da Saúde admitiu esta terça-feira alargar o modelo de rotatividade das urgências de ginecologia e obstetrícia aos serviços de urgência geral, mas ressalvou que, antes de qualquer decisão política, tem que haver um estudo técnico que fundamente essa medida.

“Na região Norte funcionam já há muitos anos as chamadas urgências metropolitanas, em que há concentração de várias especialidades no que diz respeito ao serviço de urgência num dos hospitais da região”, disse Manuel Pizarro, quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de expandir o modelo aplicado nas urgências obstétricas e de ginecologia a outros serviços hospitalares no final de uma visita ao Hospital Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra).

O ministro disse que está a estudar este um modelo do “ponto de vista técnico", mas ressalvou que “antes de uma qualquer decisão política tem que haver um estudo técnico que fundamente e dê segurança a essa decisão política”.

Após uma reunião com a administração do hospital e depois de ter visitado o Serviço de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia/Bloco de Partos e a Unidade de Cuidados Intensivos e Especiais Neonatais, Manuel Pizarro fez “um balanço muito positivo” aos jornalistas dos fins de semana do Natal e do Ano Novo, em que “um vasto conjunto de maternidades” se manteve em funcionamento por todo o país, e nasceram 849 bebés nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

“É um grande resultado para o país e é a prova de que o SNS está capaz de responder plenamente às necessidades dos portugueses, mas isso não nos faz embandeirar em arco. Temos que analisar a situação para o futuro e temos que ir sempre tomando medidas e avaliando os resultados dessas medidas”, declarou.

O ministro avançou que, na próxima semana, a direção executiva do SNS se vai reunir com todos os hospitais que estiveram envolvidos na operação ”Nascer em segurança no SNS” para fazer o balanço e decidir de que forma é que vai prosseguir a organização dos serviços de maternidade, com o objetivo principal de garantir previsibilidade e “absoluta segurança às mães e às crianças”.

Questionado sobre os longos tempos de espera que os doentes têm esperar em algumas urgências do país, afirmou que os problemas que existem estão identificados.

“Não negamos que há dificuldades e problemas, designadamente nos serviços de urgência. Estamos a trabalhar para os resolvermos paulatinamente e a verdade é que temos sido capazes de assegurar a resposta a todas as pessoas com qualidade, ainda que reconheça que em muitos casos com esperas excessivas”, sublinhou.

O governante adiantou que “os vários elementos” do programa de resposta à situação sazonal têm sido bem-sucedidos, salientando que há mais pessoas a recorrerem à linha de saúde 24, aos centros de saúde com horários alargados.

“Mas ainda assim temos uma procura muito excessiva em algumas urgências”, uma situação que o ministro disse que estão a trabalhar para reduzir os tempos de espera nessas urgências, nomeadamente procurando que as pessoas com situações não urgentes deixem de ir ao hospital e recorram à linha SNS 24 ou aos centros de saúde.

O ministro elucidou que duas em cada cinco pessoas que vão à urgência, e nalgumas urgências metade dos utentes, “poderiam ser melhor tratadas” se não recorressem ao serviço de urgência e ao mesmo tempo diminuíam a pressão sobre o serviço.

Mas há outras situações que o problema se deve a não haver capacidade de internamento para todos os doentes que precisam e permanecem na urgência como é o caso do Hospital Fernando Fonseca.

“Em muitos casos precisamos mesmo de uma resposta estrutural”, disse, dando como exemplo o Hospital Amadora-Sintra em que o “mais urgente” é mesmo ter mais espaços de internamento.

Por isso, avançou, é que vai abrir dentro de cerca de um ano o novo hospital de Sintra, que a autarquia ofereceu ao Estado.

Perante o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, o ministro agradeceu à autarquia a obra e também agradeceu aos profissionais de saúde a dedicação e o empenho durante a quadra festiva.

/ PF