O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu entrada esta segunda-feira nas urgências do Hospital de São João, no Porto, depois de ter sofrido uma paragem de digestão enquanto regressava de Amarante. Segundo o hospital, o chefe de Estado apresenta uma hérnia encarcerada, que exigirá intervenção cirúrgica. A unidade hospitalar assegura que Marcelo “está bem” e permanecerá nos próximos dias no São João para acompanhamento médico.
De acordo com o site oficial da Presidência da República, Marcelo “foi admitido depois de se ter sentido indisposto”. “Os médicos da Presidência da República entenderam que, antes de fazer a viagem de regresso a Lisboa, seria melhor proceder a exames médicos, que estão neste momento em curso pela equipa médica deste hospital do Serviço Nacional de Saúde”, acrescenta a nota oficial.
Este episódio surge num contexto de histórico médico já conhecido do Presidente, que ao longo dos últimos anos enfrentou várias questões de saúde. Ainda na adolescência, Marcelo foi diagnosticado com uma úlcera duodenal crónica, condição gastrointestinal que exige cuidados médicos continuados. Em dezembro de 2017, foi submetido a uma cirurgia de urgência para tratar uma hérnia umbilical encarcerada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, sendo operado pelo cirurgião Eduardo Barroso. Recebeu alta poucos dias depois..
Seis meses depois, em junho de 2018, durante uma visita ao santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, o chefe de Estado, agora com 76 anos, sofreu uma queda súbita atribuída a uma baixa de tensão arterial combinada com gastroenterite aguda, o que resultou num internamento temporário sem complicações graves.
Em outubro de 2019, realizou um cateterismo cardíaco programado no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, após a detecção de acumulação de cálcio numa das artérias coronárias. O procedimento decorreu “com sucesso e sem complicações”.
Mas passaram apenas dois anos para que Marcelo tivesse que ser novamente intervencionado. Em dezembro de 2021, foi submetido à remoção de duas hérnias inguinais no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, recuperando rapidamente da intervenção.
O último problema de saúde a envolver a mais alta figura do Estado português aconteceu em julho de 2023, quando Marcelo sofreu uma indisposição durante uma visita à Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa, provavelmente provocada por baixa tensão arterial associada a desidratação ou falta de alimentação. Foi, por essa altura, transportado de urgência ao hospital para exames e colocado sob monitorização, sem sinais de problema cardíaco grave.
Na ocasião, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas à saída do Hospital, relatando que teve "uma quebra de tensão repentina, o chamado fenómeno vagal", para o qual talvez tenha contribuído "beber um moscatel quente".
O episódio desta segunda-feira acontece numa altura em que faltam poucos meses para Marcelo deixar a Presidência da República, cargo para o qual foi eleito em 2016.