Um homem foi detido pela suspeita de ter lançado um cocktail molotov durante a "Marcha pela Vida", realizada a 21 de março junto à Assembleia da República, em Lisboa.
De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária, o suspeito foi detido pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, estando indiciado pela tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave.
"Os factos pelos quais foi detido reportam-se ao arremesso de um engenho incendiário improvisado, comumente designado por cocktail molotov, contra pessoas que participavam na manifestação 'Marcha pela Vida', entre as quais se encontravam famílias com crianças e bebés", pode ler-se no comunicado.
A Polícia Judiciária indica que foram realizadas dezenas de diligências para tentar obter meios de prova, acabando a investigação por culminar na detenção do suspeito, que também foi alvo de um mandado de busca e apreensão, no qual foram apreendidos "diversos elementos denunciadores de um móbil ideológico".
O detido será presente no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para novo interrogatório judicial tendo em vista a aplicação de adequadas medidas de coação.
Um cocktail molotov é um engenho incendiário artesanal fabricado com uma garrafa de vidro, líquidos inflamáveis e um pano embebido no mesmo combustível.
O engenho incendiário não deflagrou, mas gerou "um clima de alarme e perturbação no local", tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável.
No momento do arremesso, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés.
Além do suspeito, estavam no local outras pessoas, que acabaram por fugir e que, segundo a PSP, estariam integradas “num grupo alegadamente de conotação anarquista, tendo mais tarde sido identificados três membros em outra artéria”.
A Marcha pela Vida, realizada no centro de Lisboa no quadro da Caminhada pela Vida, que teve lugar em 12 cidades do país contra a interrupção voluntária da gravidez, começou no Largo do Carmo e seguiu até ao Palácio de São Bento.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, condenou no domingo o incidente, que classificou como uma demonstração de “extremismo violento”, e elogiou a “pronta intervenção da PSP”.