A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, fez uma viagem de "extremo risco" para Oslo, Noruega, onde vai decorrer a cerimónia de entrega dos prémios Nobel, anunciou o Instituto norueguês, que entretanto apelou ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que renuncie ao poder e aceite os resultados eleitorais.
Em comunicado, o Instituto Nobel norueguês, que tinha anunciado esta manhã que María Corina Machado seria representada na cerimónia pela sua filha, Ana Corina Sosa Machado, adianta agora que a vencedora do Nobel da Paz "fez tudo o que estava ao seu alcance para estar presente na cerimónia de hoje", numa "viagem em situação de extremo perigo".
"Embora não tenha conseguido chegar à cerimónia e aos eventos de hoje, estamos profundamente felizes por confirmar que ela está bem e que estará connosco em Oslo", anuncia o instituto.
A cerimónia começou às 13:00 (hora local, menos uma em Portugal Continental), com a filha de María Corina Machado a receber o prémio em nome da mãe.
“Senhor Maduro, aceite os resultados das eleições e demita-se”, disse depois o presidente do Comité, Jorgen Watne Frydnes, durante a cerimónia da entrega do prémio, onde Corina Machado se fez representar pela filha, Ana Corina Sosa.
Num discurso lido pela sua filha, Ana Corina Sosa, que recebeu o prémio em nome da mãe que não pôde comparecer a tempo da cerimónia por motivos ainda por especificar, a líder da oposição venezuelana afirmou que é preciso estar "pronta para lutar pela liberdade" num país que está a sofrer de "terrorismo de Estado".
Quanto a María Corina Machado, o comunicado do Instituto Nobel norueguês não especifica quando é que a opositora venezuelana vai estar em Oslo.
Entretanto, o instituto divulgou uma gravação de uma chamada na qual María Corina Machado confirma que vai estar na capital norueguesa. "Estou a caminho", adiantou, na chamada com o presidente do comité do instituto Joergen Watne Frydnes.
María Corina Machado, de 58 anos, venceu o Nobel da Paz no passado dia 10 de outubro, numa distinção pela sua luta pela transição democrática na Venezuela.
Em novembro, o procurador-geral da Venezuela afirmou que María Corina Machado seria considerada uma “fugitiva” se abandonasse o país para receber o prémio. A líder da oposição venezuela, que permanece há mais de um ano em clandestinidade, confirmou, no passado dia 6, que iria viajar para Oslo para receber o respetivo galardão.