A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, deixou a Venezuela na terça-feira e viajou de barco para a ilha neerlandesa de Curaçau. A informação foi confirmada por altos responsáveis da administração dos EUA ao Washington Post.
“A vencedora do Prémio Nobel María Corina Machado deixou o país na terça-feira de barco e viajou para Curaçau. Os aliados da líder da oposição trabalharam para evitar que a viagem se tornasse pública, a fim de proteger a sua segurança”, diz o jornal americano.
Esta rota já tinha sido adotada por outros opositores venezuelanos. De Caracas até à costa do país, no estado de Falcón, há muitos controlos militares, pelo que, em casos anteriores, os opositores contaram com a ajuda de pessoal afeto ao regime para fazer a viagem.
O jornal espanhol "El Mundo" afirma que, no dia da fuga da Venezuela, militares americanos sobrevoaram o golfo que liga Falcón e Maracaibo, a segunda maior cidade do país, com dois caças Superhornets, destacados a partir do USS Gerald Ford, o maior do mundo.
Corina Machado queria marcar presença em Oslo, onde decorreu esta quarta-feira a cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz. No entanto, a opositora de Nicolás Maduro não chegou a tempo da cerimónia. O prémio foi recebido pela sua filha, Ana Corina Sosa Machado.
O Instituto Nobel norueguês tinha divulgado esta quarta-feira de manhã que Corina Machado fez uma viagem de "extremo risco" para Oslo.
Em comunicado, o instituto adiantou que a vencedora do Nobel da Paz "fez tudo o que estava ao seu alcance para estar presente na cerimónia de hoje".
O comunicado do Instituto Nobel norueguês não especifica quando é que a opositora venezuelana vai estar em Oslo.
Entretanto, o instituto divulgou uma gravação de uma chamada na qual María Corina Machado confirma que vai estar na capital norueguesa. "Estou a caminho", adiantou, na chamada com o presidente do comité do instituto Joergen Watne Frydnes.
María Corina Machado, de 58 anos, venceu o Nobel da Paz no passado dia 10 de outubro, numa distinção pela sua luta pela transição democrática na Venezuela.
Em novembro, o procurador-geral da Venezuela afirmou que María Corina Machado seria considerada uma “fugitiva” se abandonasse o país para receber o prémio. A líder da oposição venezuelana, que permanece há mais de um ano em clandestinidade, confirmou no passado dia 6 que iria viajar para Oslo para receber o respetivo galardão.