Depressão Claudia faz dois mortos e provoca estragos em todo o país. Região de Lisboa e Vale do Tejo foi das mais afetadas - TVI

Depressão Claudia faz dois mortos e provoca estragos em todo o país. Região de Lisboa e Vale do Tejo foi das mais afetadas

  • Agência Lusa
  • PP
  • 13 nov, 14:48

A Proteção Civ0il registou mais de mil ocorrências em todo o país. Inundações, quedas de árvores, aluimentos de terras, circulação de comboios afetada. A chuva intensa e o vento forte não deram descanso às autoridades

Portugal continental registou, até às 13:00 desta quinta-feira, 1.292 ocorrências devido ao mau tempo, que resultaram em duas mortes, um ferido ligeiro e nove pessoas desalojadas, informou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O ponto de situação foi feito pelo comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, aos jornalistas, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras, distrito de Lisboa, pelas 13:30, o qual referiu as inundações, as quedas de estruturas, as quedas de árvores e limpezas de via, como as ocorrências em maior número, tendo sido também efetuados três salvamentos terrestres e cinco aquáticos.

Em termos de vítimas, o responsável apontou para duas mortes em Fernão Ferro, no Seixal, distrito de Setúbal, devido à inundação de uma habitação, e para um ferido ligeiro, na sequência de uma queda de árvore no concelho de Serpa, distrito de Beja.

Quanto ao número de desalojados, Mário Silvestre referiu que houve cinco na Região do Médio Tejo, no concelho de Abrantes, e quatro na Lezíria do Tejo, na localidade de Glória do Ribatejo, concelho de Salvaterra de Magos, ambos os casos no distrito de Santarém.

A depressão Cláudia afeta desde quarta-feira Portugal continental e o arquipélago da Madeira com chuva, vento e agitação marítima fortes, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Nos distritos de Santarém e Setúbal, o IPMA emitiu um aviso vermelho, o mais grave, de chuva por vezes forte e persistente até às 10:00 de hoje. O distrito de Faro está sob aviso meteorológico vermelho até às 15:00.

O resto do continente e o arquipélago da Madeira estão sob aviso Amarelo.

O aviso vermelho é o mais grave e é emitido sempre que existem situações extremas, já o laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo, quando há uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

Vento forte destrói estrutura em vidro no centro comercial em Évora

O vento forte registado esta quinta-feira de manhã em Évora partiu as portas e estrutura de vidro que separam a zona de restauração de uma varanda no centro comercial existente na cidade, sem feridos, revelaram as autoridades.

Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Évora, Rogério Santos, explicou que a empresa proprietária do centro comercial Évora Plaza não comunicou oficialmente a ocorrência.

“A gestão do centro comercial não solicitou qualquer intervenção dos bombeiros, pelo que não houve esta ajuda externa”, afirmou.

Contudo, o comandante dos bombeiros disse que esteve no local e que constatou que “os vidros que dão para a varanda no 1.º andar partiram-se para o interior do edifício”.

“Esta estrutura em vidro separa a varanda da zona de alimentação do centro comercial, mas o vento arrancou a estrutura e os vidros partiram-se e caíram para o interior”, precisou.

A situação “não provocou feridos”, nem fez desabar o teto. “O teto do centro comercial está de pé. As portas e a estrutura em vidro é que não aguentaram a pressão do vento”, disse Rogério Santos.

Também contactado pela Lusa, o responsável pelo Serviço Municipal de Évora de Proteção Civil, Joaquim Piteira, corroborou que a intervenção desta entidade também não foi solicitada pelo proprietário do centro comercial.

“Foi tudo tratado pela equipa interna do Évora Plaza. Oficialmente, nada foi comunicado à Proteção Civil Municipal”, referiu. Ainda assim, Joaquim Piteira esclareceu que “não houve feridos” e que “a situação foi resolvida pelo proprietário”.

Região do Oeste com mais 40 ocorrências registadas até às 10:00

O agravamento do tempo devido à depressão Cláudia provocou, entre as 00:00 e as 10:00, 42 ocorrências nos vários concelhos do Oeste, a maioria das quais inundações, informou o Comando sub-regional local.

“Os meios foram acionados para 42 ocorrências durante este período”, disse à agência Lusa fonte do Comando sub-regional do Oeste, precisando que “a grande maioria foram inundações devido às fortes chuvas”.

Além das inundações foram registadas quedas de árvores e movimento de massa para estrada, mas “na região não se encontra nenhuma via cortada”, acrescentou a mesma fonte.

O comando sub-regional do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.

Chuva e vento causam inundações e quedas de árvores em Faro

O mau tempo está a causar inundações e quedas de árvore no Algarve, tendo afetado nas últimas horas sobretudo a zona de Faro, mas sem registo de vítimas, disse à Lusa fonte da Proteção Civil regional.

Segundo a mesma fonte, a zona de Faro foi afetada a partir das 12:00 por chuva e vento fortes, que causaram inundações no espaço público e queda de árvores, mas o número de ocorrências não está ainda contabilizado.

Depois de uma manhã em que o barlavento (oeste) algarvio foi mais afetado, a depressão Cláudia prosseguiu em direção ao sotavento (este) e os pedidos de ajuda têm estado a chegar às equipas de emergência, mas relacionadas com “ruas inundadas e quedas de árvores”, sem registos de vítimas, em Faro, indicou.

“Faro é a zona mais afetada neste momento, com inundações em ruas que costumam inundar sempre” que há registos de pluviosidade mais fortes, “sobretudo na baixa da cidade”, afirmou.

Segundo a fonte do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, há também "registos de quedas de árvore”, mas não há, para já, vítimas a lamentar, acrescentou.

Questionado sobre o número de ocorrências já registado até ao momento, a mesma fonte respondeu que ainda não está contabilizado.

Chuva provoca 64 ocorrências no Médio Tejo e dois desalojados em Abrantes

O Comando Sub-Regional do Médio Tejo registou entre as 00:00 e as 11:00 de hoje 64 ocorrências relacionadas com a depressão Cláudia, com a chuva intensa a provocar dezenas de inundações e dois desalojados no concelho de Abrantes.

Em declarações à Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, explicou que Abrantes, no distrito de Santarém, foi o município mais afetado, com 26 ocorrências, seguido de Ourém, com 10.

“Desde as 00:00, temos 64 ocorrências, com muitas inundações, desobstruções e quedas de árvores. O mais significativo continua a ser Abrantes, onde se registaram dois desalojados e três deslocados devido à entrada de água nas habitações”, declarou.

Segundo o responsável, as pessoas afetadas foram realojadas em casa de familiares, até ser possível regressarem às suas habitações.

“Temos 10 quedas de árvores, dois desabamentos de estruturas edificadas, cinco limpezas de via, uma operação de resgate aquático e 31 inundações”, detalhou, sublinhando que não há vias cortadas, mas várias zonas com lençóis de água e ribeiras transbordadas, especialmente em Alferrarede, no concelho de Abrantes.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, confirmou à Lusa a existência de “muitas situações críticas e de inundação de habitações”, sobretudo devido ao transbordo de linhas de água em Rio de Moinhos, Tramagal, Alferrarede, Chainça e Rossio.

“Há pessoas desalojadas, situações que nos preocupam. Estamos a fazer o realojamento através de familiares sempre que possível e, quando não é, recorremos aos nossos meios municipais de resposta”, explicou.

O autarca adiantou que não há feridos a registar, mas destacou que há “pessoas em situação de fragilidade e com bens danificados”, sendo “crítico gerir este volume de ocorrências” registadas devido à forte pluviosidade.

A Avenida António Farinha Pereira, uma das principais entradas da cidade, continua a ser um ponto crítico quando ocorrem chuvas intensas, acrescentou, referindo que o município está a trabalhar em conjunto com as Infraestruturas de Portugal “para encontrar soluções para estes locais problemáticos que se repetem há vários anos”.

Manuel Jorge Valamatos apelou ainda à colaboração dos munícipes: “Cumpram as regras, sigam as instruções das autoridades e colaborem para minimizar os efeitos desta chuva intensa que nos está a atingir”, disse.

Ainda de acordo com David Lobato, caíram cerca de 60 milímetros de chuva nas últimas 24 horas na região, valor equivalente à média mensal.

“Foi muita água em pouco tempo. Os terrenos estão saturados e, com a chuva prevista até domingo, o risco de novas inundações é elevado”, alertou.

O comandante adiantou também que o aviso meteorológico passou de vermelho (o mais grave) a laranja, mas insistiu na importância de comportamentos preventivos.

“Evitar atravessar vias inundadas, manter caleiras e sumidouros limpos e adotar comportamentos de segurança. Todos nós somos Proteção Civil e só juntos conseguimos responder a estas situações”, apelou.

Com sede em Praia do Ribatejo, o comando sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo integra os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha, todos do distrito de Santarém.

Chuva intensa corta três estradas no concelho de Mafra

O agravamento das condições meteorológicas registado nas últimas horas obrigou ao fecho de três estradas no concelho de Mafra, distrito de Lisboa, informou hoje o Serviço Municipal de Proteção Civil.

Em comunicado, o Serviço Municipal de Proteção Civil informou que se encontram cortadas a estrada da Senhora do Ó para Carvoeira; a estrada de São Julião para Assafora (no concelho de Sintra) e a estrada da Senhora do Ó para Fonte Boa da Brincosa.

As vias foram interditadas “em virtude do agravamento das condições meteorológicas verificadas nas últimas horas, com especial enfoque na chuva intensa”, refere o comunicado.

Chuva provoca várias inundações em Leiria

O mau tempo causou várias inundações e quedas de árvores nas últimas horas, em Leiria, que condicionaram a circulação em algumas estradas do concelho, revelou à agência Lusa o vereador da Proteção Civil, Luís Lopes.

Sem registo de vítimas ou acidentes associados ao mau tempo, o vereador no Município de Leiria adiantou que, entre as 00:00 e as 10:00, hora do pico da depressão Cláudia, registaram-se 32 ocorrências, sobretudo inundações em habitações e indústrias, quedas de árvore e movimentação de massas.

Uma das situações mais graves foi numa fábrica em Regueira de Pontes, com entrada de água a 30 centímetros de altura, explicou Luís Lopes. “Também no Centro Social e Paroquial de Regueira de Pontes, uma sala que dá para o centro de dia, ficou inutilizada, mas tudo o resto está a funcionar com normalidade”, informou.

O vereador disse ainda que se encontram várias estradas condicionadas: “Algumas estradas rurais têm a circulação suspensa, como as dos campos do Lis”.

A circulação ferroviária na linha do Oeste, entre a Estação e a Ortigosa, também se encontra suspensa devido a um aluimento de terras.

“Entre as 15:00 e as 18:00 espera-se um desagravamento das condições meteorológicas. Durante esse tempo haverá alguma precipitação intensa, menor do que a registada até agora”, disse.

A proteção civil estará atenta nas próximas horas à preia-mar, pelas 16:00, e à baixa-mar, pelas 21:00.

“Os solos estão pouco absorventes da água que se acumulou, o que obriga a uma monitorização constante no terreno com a presença das equipas de proteção civil e do Serviço Municipal de Vigilância Ambiental, e a manter os condicionalismos em algumas estradas”, observou.

Pontualmente, foram registadas algumas falhas de eletricidade, que estão a ser resolvidas.

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