Há dez anos que não se reformavam tantos médicos. Os dados são avançados pelo edição desta terça-feira do jornal "Público", que diz que, em 2022, reformaram-se 782 médicos, um pico que vem confirmar a tendência de subida dos últimos anos e que se junta à fuga de médicos para o privado. 

O número registado este ano supera mesmo o valor registado em 2014, quando na ressaca pós troika se reformaram 712 profissionais.

A previsão é de que o problema se agrave, até porque, apesar de tudo, há médicos com mais de 65 anos que continuam a trabalhar, algo que acaba por funcionar como uma atenuante. Para combater estas dificuldades, o Governo tem contratado médicos que já estavam na reforma e promete contratar mais profissionais.

De acordo com números da Administração Central do Sistema de Saúde, a que o jornal Público teve acesso, dos profissionais que se reformaram este ano, 726 são médicos especialistas que se juntam aos 56 que estão incluídos nas listas da Caixa Geral de Aposentações a partir do último mês do ano.

Ao jornal, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, defende que às saídas por reforma é ainda preciso juntar os médicos que abandonam o SNS para irem trabalhar para o sector privado ou que emigram, lembrando ainda os recém-especialistas que não ocupam as vagas abertas nos centros de saúde e nos hospitais públicos.

Miguel Guimarães diz mesmo que, atualmente, haverá “cerca de 20 mil médicos” com menos de 66 anos fora do SNS que “mantêm os hospitais privados a funcionar”.

CNN Portugal / AM