Há "fortes indícios" de que Putin deu aos separatistas da Ucrânia o míssil que abateu o voo MH17 - TVI

Há "fortes indícios" de que Putin deu aos separatistas da Ucrânia o míssil que abateu o voo MH17

  • CNN
  • Mick Krever
  • 8 fev 2023, 16:09
Desde o acidente com o avião da Malaysia Airlines que os aviões comerciais evitam passar pela zona da Crimeia. Agora, todo o espaço aéreo sobre a Ucrânia está inacessível. Foto: Evgeniy Maloletka/AP

Os investigadores do caso afirmaram em tribunal que intercetaram conversas telefónicas do Kremlin sobre a entrega de mísseis de longo alcance aos rebeldes pró-russos e que a decisão foi inclusive adiada uma semana porque o presidente russo estava em França nas comemorações do Dia D

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Há "fortes indícios" de que o presidente russo, Vladimir Putin, aprovou pessoalmente a decisão de fornecer aos separatistas na Ucrânia o míssil que abateu o voo MH17 da Malaysia Airlines em 2014, disseram os investigadores holandeses nesta quarta-feira.

Citando conversas telefónicas intercetadas por funcionários do governo russo, a Equipa de Investigação Conjunta encarregue do caso considerou haver "fortes indícios de que, na Rússia, o presidente tomou a decisão sobre o fornecimento do Buk-TELAR [sistema de defesa antiaéreA, armado com mísseis terra-ar], aos separatistas da DPR", ou autoproclamada República Popular de Donetsk, no leste da Ucrânia.

No entanto, os investigadores afirmaram que apesar do "elevado nível de provas completas e conclusivas nada foi conseguido" e que, independentemente disso, como chefe de Estado, Putin goza de imunidade. A Equipa Conjunta de Investigação indicou também que partilhou as suas conclusões com as famílias das 298 vítimas.

A CNN contactou o Kremlin para obter uma reação, mas sem resposta até ao momento. Moscovo tem negado repetidamente qualquer responsabilidade pelo ataque, e as autoridades russas e os meios de comunicação estatais apresentaram uma série de explicações muitas vezes contraditórias para a tragédia.

O voo MH17 tinha partido de Amesterdão rumo a Kuala Lumpur em 17 de julho de 2014, quando foi abatido sobre território controlado por rebeldes pró-russos no leste da Ucrânia. Todas as 298 pessoas a bordo morreram.

Os investigadores já tinham concluído que o míssil que derrubou o MH17 era um Buk russo, disparado de um lançador pertencente à 53.ª brigada de mísseis antiaéreos russa. Um tribunal holandês declarou, em novembro, dois russos e um separatista ucraniano culpados do assassinato em massa pelo seu envolvimento na queda do MH17.

Na sua mais recente descoberta, os investigadores dizem que os líderes da DPR pareciam estar em "estreito contacto" com os conselheiros do Kremlin e os serviços secretos russos.

"Depois dos separatistas pedirem armas antiaéreas com maior alcance, o seu pedido foi discutido na segunda quinzena de junho de 2014 na administração presidencial em Moscovo. Trata-se de um organismo estatal que apoia o presidente. Depois disto, o pedido de um sistema de defesa aérea mais pesado foi apresentado ao ministro da Defesa e ao presidente", afirmaram os investigadores ao tribunal holandês.

Os investigadores dizem que o pedido dos separatistas foi aprovado.

"Em conversas telefónicas gravadas, funcionários do governo russo dizem que a decisão sobre o apoio militar cabe ao presidente", disse a Equipa de Investigação Conjunta. "A decisão chega mesmo a ser adiada uma semana 'porque há apenas um que toma uma decisão [...], a pessoa que está numa cimeira em França". O presidente Putin, nessa altura, a 5 e 6 de junho de 2014, estava nas comemorações do Dia D em França.

"Há informações concretas de que o pedido dos separatistas foi apresentado ao presidente, e que é tomada uma decisão positiva. Não se sabe se o pedido menciona explicitamente um sistema Buk. Pouco tempo depois, foram entregues sistemas pesados de defesa aérea, incluindo o Buk que mais tarde abateu o MH17."

Os investigadores consideraram ainda que não havia provas suficientemente fortes para dar início a qualquer novo processo.

"Como neste momento não pode ser determinado quem eram os operadores do Buk-TELAR, e faltam outras informações concretas sobre isto, não se pode determinar porque dispararam um míssil Buk contra o MH17, qual era a sua missão, e que informações tinham no momento do disparo."

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