Ministro garante que portugueses não vão pagar novo aeroporto e acusa Ryanair de "condicionamento" - TVI

Ministro garante que portugueses não vão pagar novo aeroporto e acusa Ryanair de "condicionamento"

Em entrevista à CNN Portugal, Miguel Pinto Luz reforçou que a solução Alcochete vai gerar “verbas suficientes para pagar toda a infraestrutura” não só através das taxas aeroportuárias, mas também através da criação de um “polo de desenvolvimento de tecnologias”

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O ministro das Infraestruturas e da Habitação assegurou esta quarta-feira que o novo aeroporto de Lisboa não vai representar qualquer custo para os contribuintes portugueses, sendo que o investimento partirá exclusivamente da VINCI, a empresa que detém a concessão da infraestrutura.“É a concessão que terá de pagar o aeroporto”, disse, em entrevista à CNN Portugal. 

Miguel Pinto Luz garantiu que não há qualquer plano B e, confrontado com as declarações do presidente internacional da VINCI de que ainda é cedo para se falar do aeroporto Luís de Camões e que ainda vai demorar anos para um Governo ter condições para tomar essa decisão, o ministro desvalorizou: “O presidente da VINCI não conhece o atual Governo, nem esta vontade de consenso nacional à volta deste aeroporto. Se calhar está habituado a um Portugal diferente, este Portugal de quase unanimidade quer a construção rapidamente”, respondeu.

Convicto de que a solução Alcochete vai ser geradora de riqueza, Pinto luz propôs um pré-plano de negócios que, a ser implementado, deverá gerar “verbas suficientes para pagar toda a infraestrutura”. Por um lado, diz, com um crescimento da procura, as taxas “ao ritmo atual” vão ser importantes geradores de financiamento. 

Por outro, diz, há a vontade de fazer do aeroporto Luís de Camões um centro de treino aeronáutico, tal como um “polo de desenvolvimento de tecnologias à volta dos combustíveis renováveis”. Será uma” autêntica cidade-aeroporto”, descreve. 

Durante quase toda a entrevista, Miguel Pinto Luz referiu que a escolha da localização para o novo aaeroporto efetuada esta terça-feira marca um passo diferente de todas as outras realizadas na história da democracia. Isto porque, desta vez, “ao contrário do anúncio de José Sócrates e da decisão na Geringonça”, desta vez há “um consenso e uma quase unanimidade ao nível de partidos”. “Desta vez, o pais não pode continuar a esperar, há condições suficientes”. 

Nessa unanimidade está também a ANA Aeroportos, que se disse disponível para trabalhar no imediato na decisão do Governo de executar obras de ampliação do Aeroporto humberto Delgado até a opção Montijo estar pronta para ser inaugurada em 2024. “Foi uma surpresa”, confessa o ministro, realçando o comunicado da empresa logo a seguir à Conferência de Conselho de Ministros na terça-feira. 

Quem não aderiu até ao momento a essa unanimidade foi o presidente executivo da lowcost Ryanair, que se mostrou “decepcionado” com a decisão por esta só estar concluída daqui a 10 anos. “Não é uma companhia aérea que condiciona as opções de um Governo”, respondeu Pinto Luz, que diz que a independência das decisões do Executivo de Montenegro “não é paginável do condicionamento típico dessa companhia”. “A Ryanair é conhecida por tentar condicionar cidades e países, é conhecida essa atitude”. 

Classificando o prazo de dez anos para ter o novo aeroporto em funcionamento como “razoável”, Miguel Pinto Luz avançou, no entanto, que o Governo tem um Plano B - que é a “possibilidade de o Humberto Delgado funcionar durante mais anos” do que até 2024. 

Já relativamente ao compromisso de conseguir a linha Lisboa-Madrid em três horas até 2024, Pinto Luz referiu também que o plano do Governo passa pelo recurso a Parcerias-Público-Privadas. “Acreditamos que a procura por essa linha se paga a si mesma”.

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