Pence já não adora Trump: "Pediu-me para escolher entre ele e a Constituição". Mas Pence adora o que fez com Trump: "Tive orgulho em todos os dias em que tornámos a América grande novamente" - TVI

Pence já não adora Trump: "Pediu-me para escolher entre ele e a Constituição". Mas Pence adora o que fez com Trump: "Tive orgulho em todos os dias em que tornámos a América grande novamente"

  • CNN Portugal
  • MJC
  • 7 jun 2023, 20:14
O republicano Mike Pence anuncia a sua candidatura presidencial, ao lado da mulher, Karen (Foto de Stephen Maturen/AFP via GettyImages)

O republicano Mike Pence lançou a sua candidatura presidencial com um discurso no qual justificou por que motivo se emancipou de Trump sem se ter emancipado do prazer de ter trabalhado com Trump. E acha que Trump está menos conservador - e, diz Pence, isso prejudica a América

“Há muito tempo que acredito que quando muito é dado muito mais será exigido. É por isso que hoje, diante Deus e da minha família, anuncio que estou a concorrer à presidência dos Estados Unidos da América." O antigo vice-presidente de Donald Trump lançou esta quarta-feira, em Ankeny, Iowa, a sua candidatura às presidenciais de 2024, para as quais, antes de mais, tem de confrontar Trump nas eleições primárias republicanas.

Rodeado pela família, Pence escolheu o seu estado natal e o dia em que completou 64 anos para o anúncio. E começou logo por se referir ao seu primeiro rival: “6 de janeiro de 2021 foi um dia trágico na vida da nossa nação”, disse em referência ao ataque ao Capitólio. “Como já disse muitas vezes, naquele dia fatídico as palavras do presidente Trump foram imprudentes e colocaram a minha família e todos em perigo no Capitólio. Mas o povo americano merece saber que naquele dia o presidente Trump pediu-me que escolhesse entre ele e a Constituição. Agora, os eleitores serão confrontados com a mesma escolha: eu escolhi a Constituição e sempre o farei.”

“Acredito que quem se coloca acima da Constituição jamais deveria ser presidente dos Estados Unidos. E qualquer um que tenha pedido a outra pessoa para o fazer também nunca mais deveria ser presidente dos Estados Unidos. As nossas liberdades foram compradas por um preço muito elevado.”

Mike Pence explicou que, ao contrário do que Trump queria, ele não poderia anular a vitória de Joe Biden em 2020. “Sempre acreditarei, pela graça de Deus, que cumpri o meu dever naquele dia. Mantive o juramento de garantir a transferência pacífica de poder sob a Constituição dos Estados Unidos”, disse Pence. “Entendo a desilusão que muitos ainda sentem sobre o resultado das eleições de 2020. Mas eu não tinha o direito de anular a eleição. E Kamala Harris não terá o direito de anular a eleição quando os vencermos em 2024.”

Apesar de tudo isto, Pence não nega o seu passado com Trump: “Tive orgulho em apoiar o presidente Donald Trump em todos os dias quando tornámos a América grande novamente”, disse, depois de referir o seu percurso como congressista e governador de Indiana. “Sempre serei grato pelo que o presidente Trump fez por este país. Muitas vezes rezei por ele nos últimos anos. E rezei por ele novamente hoje. Esperava que ele aceitasse, percebesse que tinha sido enganado sobre o meu papel naquele dia”, disse Pence, referindo-se a 6 de janeiro de 2021.

“O Partido Republicano deve ser o partido da Constituição dos Estados Unidos. Já estamos fartos dos democratas da esquerda radical a pisar repetidamente na nossa Constituição, a ameaçar encher os tribunais para desmantelar os direitos dados por Deus, que estão consagrados”, continuou Pence, dizendo que o Partido Republicano deve proteger o “direito à vida”, assim como manter o livre acesso às armas de fogo.

Porque "tempos diferentes pedem lideranças diferentes", como disse no primeiro vídeo de campanha divulgado esta quarta-feira, Mike Pence, que é o primeiro vice-presidente da história dos EUA a defrontar o presidente com quem trabalhou, não poupou nas críticas a Trump, acusando-o de ter aligeirado o seu discurso desde 2016, apresentando-se agora menos conservador. “Depois de deixar a administração mais pró-vida da história americana, Donald Trump e outros nesta corrida estão a afastar-se da defesa do direito à vida. A santidade da vida tem sido uma causa do nosso partido ao longo meio século, muito antes de Donald Trump fazer parte dele. Agora ele trata isso como uma inconveniência, até atribuindo a culpas das nossas derrotas eleitorais em 2022 à rejeição de Roe v Wade."

"Senhor presidente, sempre defenderei a santidade da vida e não descansarei e não cederei até recolocarmos a santidade da vida no centro da lei americana em todos os estados do país”, anunciou Pence, que é um cristão evangélico, deixando no ar a hipótese de fazer uma lei federal proibindo o aborto. 

O republicano considerou a presidência de Joe Biden "desastrosa" e prometeu, se for eleito, reduzir os impostos, “libertar o povo americano de regulamentações federais excessivas” e acabar com a “onda de gastos de triliões  de dólares que está a impulsionar a inflação”. “A política de Joe Biden é a insolvência”, acusou.

Mike Pence anunciou a sua candidatura presidencial (Foto de Stephen Maturen/AFP via GettyImages)

Pence também tem ideias muito claras para a sua política externa, nomeadamente quanto à guerra na Ucrânia. “A América é o líder do mundo livre. Somos o arsenal da democracia. Donald Trump e outros que se candidatam à presidência levariam a um afastamento do nosso papel tradicional no cenário mundial”, disse Pence. “O presidente Trump descreveu Vladimir Putin como um 'génio' no início da invasão e outro candidato à nomeação republicana descreveu a invasão da Ucrânia como uma disputa territorial”, continuou, numa referência ao governador da Flórida, Ron DeSantis, também candidato à nomeação republicana. “Eu sei a diferença entre um génio, eu sei a diferença entre uma disputa territorial e uma guerra de agressão. A guerra na Ucrânia não é a nossa guerra, mas a liberdade é a nossa luta e a América deve sempre defender a liberdade.”

E concluiu: “A nossa política está mais dividida do que nunca, mas não estou convencido de que nosso país esteja tão dividido quanto a nossa política. A maioria dos americanos trata-se com bondade e respeito, mesmo quando discordamos. Sabemos ser bons vizinhos. Não é pedir demais que os nossos líderes façam o mesmo. Mas, infelizmente, está claro que nem Joe Biden nem Donald Trump partilham essa crença”.

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