Ministro da Saúde quer criar equipas fixas dedicadas aos serviços de urgência em cinco hospitais - TVI

Ministro da Saúde quer criar equipas fixas dedicadas aos serviços de urgência em cinco hospitais

  • CNN Portugal
  • AM com Lusa
  • 25 out 2023, 15:19
Manuel Pizarro na Comissão parlamentar de Saúde (Tiago Petinga/Lusa)

Ainda esta semana, o Ministério da Saúde deve anunciar mais de duas mil vagas de formação para médicos especialistas, naquele que é o maior número de sempre

O ministro da Saúde quer criar equipas fixas dedicadas aos serviços de urgência em cinco hospitais. Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, Manuel Pizarro explicou que os hospitais pioneiros para os centros de responsabilidade integrados são os de Santa Maria e São José em Lisboa, o de Coimbra e os de São João e Santo António no Porto, e que o Governo quer que esta medida entre em vigor até ao final do ano. 

O ministro defende que este modelo “é essencial para se poder depender menos da urgência e da sobrecarga que se impõe aos médicos no serviço de urgência” e explica que é inspirado no modelo das Unidades de Saúde Familiar (USF).

“São equipas multiprofissionais, com um certo nível de auto-organização pelos próprios profissionais e com um modelo de remuneração com três componentes: remuneração-base, suplemento (que será o suplemento da dedicação plena) e uma componente de índice de atividade de remuneração associada ao desempenho”, explica.

Segundo Manuel Pizarro, o objetivo será, tal como acontece nas USF modelo B, que o profissional possa aspirar ter cerca do dobro da sua remuneração-base.

“Estamos convencidos de que, com este modelo, como acontece nas USF, vamos conseguir melhorar a organização dos hospitais e melhorar também a satisfação dos profissionais”, salienta.

Quanto às negociações com os sindicatos dos médicos, Pizarro diz querer chegar a um acordo, mas avisa que esse entendimento não pode prejudicar o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde. “Temos de conseguir, com este acordo, um equilíbrio entre o que o SNS pede aos seus profissionais, de maneira que se possa reorganizar o serviço dependendo menos de horas extraordinárias e valorizando aquilo que os médicos também valorizam muito, sobretudo os mais jovens, que é uma articulação mais virtuosa entre a profissão e a sua vida pessoal e familiar”.

O ministro espera que ambas as partes façam um esforço para alcançar um entendimento na próxima ronda de negociações, marcada para esta sexta-feira.

Manuel Pizarro diz ainda que o aspeto mais grave que afeta o SNS é a inexistência de cobertura plena de médicos de medicina geral e familiar, pois esta situação “também dificulta outras reformas imperiosas”, como, por exemplo, a reforma dos serviços de urgência.

“É evidente que ela só pode ser concluída na sua plenitude se tivermos boa alternativa para oferecer aos cidadãos”, conclui.

O ministro da saúde garante ainda que não prescinde da qualidade formativa dos médicos e enaltece a colaboração que tem existido entre o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos.

Ainda esta semana, o ministério da Saúde deve anunciar mais de duas mil vagas de formação para médicos especialistas, naquele que é o maior número de sempre.

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