Não vou cair na armadilha de escrever ou dizer que treinar uma equipa com um plantel com jogadores de alto nível e que investe (mais uma vez) mais de 100 milhões de euros numa única temporada seja fácil. Não, não deve ser. Assim como não é fácil «simplesmente comentar».
Toda e qualquer profissão tem os seus obstáculos. Há prós e contras. E nem vou entrar aqui no mérito da diferença abismal de salário, apoio e estrutura à disposição entre um treinador de um gigante e um comentador de uma estação de televisão. Cada um com a sua realidade.
Não me espanta que José Mourinho seja um assíduo telespectador de programas televisivos. Entre naturais erros e acertos, existe muita coisa boa - além de bom entretenimento - para ver e ouvir, quando, nas horas vagas (?), não se está preocupado em fazer o Benfica jogar um futebol melhor. Sou grato pela audiência qualificada, já agora.
O que me entristece profundamente, na verdade, é um profissional experiente, histórico e dono de um currículo invejável não saber diferenciar o comentador do jornalista/repórter. Não saber ou, quem sabe, não querer diferenciar mesmo. É lamentavelmente assustador.
Também não me espanta nada que o treinador encarnado esteja frequentemente incomodado com os comentadores. Compreendo. É difícil ser escrutinado ao pormenor, dia e noite, noite e dia. É o preço da fama. Não se vive apenas do bônus, é preciso aceitar os ônus. Ele, muito melhor do que eu, deveria ter a noção disso.
Na interminável Cruzada contra os comentadores, o templário Mourinho fez exatamente aquilo que o próprio tem abominado: faltou ao respeito. Diante de uma abordagem simples e frontal do meu colega de casa e independente Nuno Chaves, optou pelo pior caminho. Copiou Luís Montenegro ao insinuar que o repórter tinha feito uma pergunta encomendada pela chefia.
Os bons profissionais da comunicação não necessitam de questões feitas, tampouco de cartilhas. Pensam com a própria cabeça. A verdade serve igualmente para muitos dos comentadores que andam por aí, sobretudo aqueles que conheço bem e convivem comigo, entre eles, por exemplo, os perseguidos Diogo Luís e Sofia Oliveira.
Por fim, fica aqui a dica: a CNN Portugal tem três programas diários de futebol. São duas edições do Mais Futebol (13h20 e 14h50) e uma do Em Jogo (20h05). Contamos sempre com todos(as), seja você um reles mortal ou um Special One.
*Bruno Andrade escreve a sua opinião em português do Brasil