Poderia ter sido ainda mais irónica a estreia de Yasin Ayari em Mundiais? Só se, depois do que aconteceu, o próximo jogo fosse contra Marrocos. Isto porque o sueco, nascido em Solna, filho de pai tunisino e mãe marroquina, bisou contra a Tunísia no primeiro jogo do Grupo H.
Yasin Ayari saltou para a ribalta na madrugada desta segunda-feira numa goleada incontestada da Suécia por 5-1 sobre os africanos, tendo sido ele o primeiro homem a marcar no jogo. Foi um remate seco, com a bola saltitar, colocado precisamente no ângulo superior esquerdo da baliza.
Um tiraço que merecia ser celebrado com um deslizar no relvado e longas comemorações. Porém, Ayari apenas pediu desculpa, quase envergonhado pelo 1-0. Há uma forte justificação para isso - corre-lhe sangue tunisino nas veias. Já na reta final do jogo, 'esqueceu-se' desse facto e celebrou no bis, fechando as contas nos descontos.
Filho de Azzouz Ayari, a quem deve o apelido, o jovem de 22 anos teve até um convite da federação tunisina antes do Mundial 2022 para representar essa seleção norte-africana. Na altura, destacava-se no AIK de Estocolmo, pouco antes de ser contratado em janeiro pelo Brighton.
No entanto, o pai de Yasin rejeitou, juntamente com o filho, a invitação. «Queria que ele jogasse pela Suécia», disse Azzouz numa entrevista ao jornal sueco Aftonbladet, acrescentando: «Ele devia sentir que está a retribuir ao país que o acolheu». O próprio futebolista disse, depois do jogo, que a Tunísia é «também» o seu país.
Esta escolha foi «natural» para o jovem criativo, segundo o pai. E deu frutos. O seu talento levou-o à estreia pela seleção escandinava em janeiro de 2023, tendo gradualmente subindo de estatuto dentro da comitiva.
Soma 22 jogos pela Suécia, aos 22 anos, e marcou cinco golos de amarelo e azul. Dois deles logo na noite de estreia em Mundiais. Ayari, destaque no Brighton de Fabian Hurzeler e na Suécia de Graham Potter, pode ser um caso sério nos anos vindouros.