Presidente da Namíbia Hage Geingob morre aos 82 anos - TVI

Presidente da Namíbia Hage Geingob morre aos 82 anos

  • CNN Portugal
  • com Lusa
  • 4 fev, 14:13
Presidente da Namíbia Hage Geingob morre aos 82 anos (EPA)

Marcelo Rebelo de Sousa lamenta morte de um "amigo de Portugal e da CPLP"

O presidente da Namíbia Hage Geingob, que estava a receber tratamento devido a cancro, morreu aos 82 anos, anunciou este domingo a presidência do país africano.

Num comunicado, o presidente interino da Namíbia, Nangolo Mbumba, disse que Geingob morreu pouco depois da meia-noite (23:00 de sábado em Lisboa) no hospital privado Lady Pohamba, na capital Windhoek.

O comunicado sublinhou que, apesar “dos esforços enérgicos” da equipa médica, o presidente faleceu, na presença da primeira-dama, Monica Geingos, e dos filhos.

"A nação da Namíbia perdeu um ilustre servidor do povo, um ícone da luta pela libertação, o principal arquiteto da nossa constituição e o pilar da casa da Namíbia", disse Nangolo Mbuma.

O presidente interino pediu à população que "permaneça calma e serena enquanto o Governo cuida de todos os preparativos e demais protocolos estaduais necessários” e prometeu que o executivo irá reunir-se "com efeito imediato" para tomar as providências necessárias.

As eleições presidenciais e para a Assembleia Nacional da Namíbia estavam previstas para finais de 2024.

Conversações sobre "atrocidades" do império alemão

Em 19 de janeiro, a Presidência da Namíbia tinha dito que Hage Geingob iria iniciar um tratamento contra o cancro, após uma biopsia ter detetado "células cancerígenas".

"No âmbito dos exames médicos anuais regulares, a Presidência informou o público namibiano de que o chefe de Estado foi submetido a uma colonoscopia e a uma gastroscopia, a 08 de janeiro de 2024, seguidas de uma biopsia, cujos resultados revelaram células cancerígenas", afirmou a Presidência, através de um comunicado publicado na rede social X.

O presidente iria iniciar "um tratamento médico adequado" para fazer face ao diagnóstico.

A Namíbia faz parte de um terço dos 54 Estados soberanos de África que irão realizar eleições presidenciais, legislativas ou locais em 2024, após um ano marcado por vários golpes de Estado e avisos sobre a diminuição do espaço democrático em muitos países.

Hage Geingob tomou posse como presidente em 2015 e foi o principal responsável pelo início das conversações com a Alemanha, sobre a revisão das atrocidades cometidas pelo Império Alemão durante o período colonial e possíveis compensações.

A ocupação alemã de territórios atualmente pertencentes à Namíbia teve lugar entre 1884 e 1915.

A 12 de janeiro de 1904 houve uma primeira revolta dos herero contra o domínio colonial alemão, seguida, em outubro, pela revolta da população nama.

Estima-se que os soldados do Imperador Guilherme II tenham exterminado 65 mil hereros de uma população de 80 mil e pelo menos 10 mil dos 20 mil nama.

Em novembro de 2019, o Parlamento alemão usou pela primeira vez a palavra "genocídio" para se referir a este massacre.

Berlim não prevê o pagamento de indemnizações individuais, ao contrário das exigências dos representantes dos povos herero e nama, que apresentaram uma queixa contra a Alemanha em Nova Iorque em 2017.

Marcelo lamenta morte de um "amigo de Portugal"

O Presidente da República portuguesa lamentou a morte do seu homólogo da Namíbia, destacando-o como um “amigo de Portugal” e uma “figura incontornável da luta pela independência” do seu país.

Numa nota divulgada na página oficial da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa diz ter sido “com consternação e sentido de pesar” que tomou conhecimento da morte de Hage Geingob.

Foi uma “figura incontornável da luta pela independência do país, o arquiteto da Constituição da República da Namíbia, e um amigo de Portugal da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), de que a Namíbia se tornou observador associado também por sua iniciativa”, destaca Marcelo.

O Presidente da República afirma que, “neste momento de luto e de dor”, apresenta, em seu nome e do povo português, “solidariedade e sentidas condolências” à primeira-dama e a toda a família, assim como ao povo da Namíbia.

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