Mais de 40 empresas portuguesas de Defesa expuseram esta segunda-feira os seus produtos no quartel-general da NATO, para tentar captar o investimento que está a ser feito no setor, tendo ouvido apelos para aumentar e acelerar a produção.
O evento, intitulado Dia da Indústria de Defesa de Portugal, foi o primeiro desta natureza a ser realizado no quartel-general da NATO e foi promovido em conjunto pela representação permanente de Portugal junto da Aliança e pela idD Portugal Defence.
De ‘start-ups’ a nomes estabelecidos, 41 empresas nacionais expuseram os seus produtos a diplomatas estrangeiros e agências da NATO com o intuito de procurar aproveitar as oportunidades de negócio que estão a surgir com o aumento significativo do investimento em Defesa – na cimeira de Haia, no ano passado, os Estados-membros da NATO comprometeram-se a dedicar 5% dos seus respetivos PIB à Defesa até 2035.
Em declarações aos jornalistas à margem deste evento, a vice-secretária-geral da NATO, Radmila Šekerinska, salientou que, com o aumento do investimento, há cada vez mais “dinheiro em cima da mesa”, e, agora, é preciso garantir que a indústria consegue corresponder com “mais produção, mais aço, mais e melhor tecnologia”.
“A nossa mensagem à indústria é para que produza mais, mais rápido e de forma mais articulada”, salientou, afirmando que as pequenas e médias empresas (PME) vão ser cruciais nesse esforço.
Apesar de estarem presentes nesta feira nomes estabelecidos da indústria de Defesa nacional, como a Tekever, houve também várias ‘start-ups’ que se deslocaram até Bruxelas para procurar encontrar novos clientes e parceiros, como a Navictus, representada por dois antigos estudantes do Instituto Superior Técnico (IST), José Pedro Figueiredo e Vasco Oliveira.
Fundada em 2025, esta ‘start-up’ está a desenvolver um navio de superfície não tripulado, totalmente elétrico, passível de ser utilizado em zonas de conflito, mas também em missões de recolha de inteligência ou para patrulhamento costeiro.
À Lusa, os dois empresários referiram que o principal intuito de estarem neste evento é o de conseguir entrar em contacto com marinhas estrangeiras, para perceberem as suas necessidades e experiência no setor, mas também com outras empresas portuguesas, para incorporarem outras tecnologias no seu navio.
‘Start-ups’ como a Navictus são precisamente as empresas que Portugal está a tentar exportar, para garantir que o investimento feito em Defesa não se destina apenas aos maiores grupos de Defesa europeus, concentrados em países como a Alemanha, França, Reino Unido ou Itália.
Aos jornalistas, o representante permanente de Portugal junto da NATO, Paulo Vizeu Pinheiro, salientou que o Governo se tem “batido muito” para que a NATO dê uma “especial atenção às micro, pequenas e médias empresas”.
O embaixador salientou que a guerra na Ucrânia mostrou que a inovação é crucial em tempo de guerra e que as ‘start-ups’ são essenciais para o “combate da nova era”, que junta “meios clássicos a meios assimétricos”, como os ‘drones’.
“E Portugal tem um papel importante, porque Portugal inova. Temos pequenas e grandes empresas e estão em todos os domínios: desde os ‘drones’, inteligência artificial, espaço, aeronáutica, comunicações seguras, novos materiais, sistemas de energia. Temos cá toda a panóplia”, elencou.
Igualmente presente neste evento, o responsável do Comité Militar da NATO, Giuseppe Cavo Dragone, indicou aos jornalistas que é importante Portugal aumentar a sua capacidade industrial de Defesa por ter conhecimentos únicos devido à sua localização geográfica.
“Tem muito conhecimento a nível marítimo – o que é muito importante para nós – e é provavelmente uma das regiões mais expostas às ameaças vindas do Sul”, referiu, acrescentando que é crucial que as Forças Armadas e a indústria comecem a cooperar para aumentar a capacidade de dissuasão e Defesa.