Prisão preventiva para cinco dos 37 detidos do grupo 1143 - TVI

Prisão preventiva para cinco dos 37 detidos do grupo 1143

  • CNN Portugal
  • AM com Lusa
  • 24 jan, 11:39

Os arguidos estão indiciados, em geral, da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência

Cinco dos 37 alegados membros do grupo neonazi 1143, desmantelado na terça-feira pela Polícia Judiciária, vão aguardar o desenrolar da investigação em prisão preventiva.

Segundo o Tribunal Central de Instrução Criminal, os restantes 32 arguidos foram libertados, 29 dos quais obrigados a apresentar-se semanalmente na esquadra, e três somente com termo de identidade e residência.

Os arguidos estão indiciados, em geral, da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravados, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.

Dos cinco arguidos em prisão preventiva, quatro terão, segundo o despacho de indiciação do Ministério Público a que a Lusa teve acesso, agredido dois imigrantes indianos na área de serviço de Aveiras da A1, em 05 de outubro de 2025, e um terá agredido um elemento do grupo que, no 25 de Abril de 2025, se manifestou em resposta a uma concentração do partido de extrema-direita Ergue-te, no Largo de São Domingos, em Lisboa.

De acordo com a PJ, foram detidas na terça-feira na operação "Irmandade" 37 pessoas e constituídas arguidas outras 15, por suspeita da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.

O Ministério Público alega que o 1143 estaria a preparar-se para ter natureza paramilitar em antecipação a uma eventual "guerra racial" e a organizar, para 2026, duas ações com ofensas ao profeta Maomé para provocar reações negativas ou mesmo violentas por parte da comunidade muçulmana em Portugal.

O grupo seria liderado por Mário Machado, incluindo a partir da prisão, onde se encontra a cumprir pena desde maio de 2025 noutro processo, por discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

Segundo o Ministério Público, o seu intermediário mais direto a partir de então terá sido um dos arguidos que hoje ficou em prisão preventiva e que terá participado nas agressões ocorridas em Aveiras em outubro de 2025.

Na sexta-feira, o advogado de Mário Machado defendeu que a única solução na operação "Irmandade" é a absolvição do seu cliente, que, por estar preso, não esteve entre as 37 pessoas detidas na terça-feira.

"Para já, porque este é um processo, segundo diz a Polícia Judiciária, de direito penal preventivo. Isso não existe. Isto foi feito, não porque se tivesse feito alguma coisa, mas porque podia ser feita", sustentou José Manuel Castro.

Na quarta-feira, a advogada de vários arguidos, Mayza Consentino, tinha, por sua vez, argumentado que o 1143 é somente "um grupo de convívio", sem nada de violento, e que atuou no âmbito da liberdade que a lei permite.

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