A perda de um avião que transportava 72 pessoas no Nepal realçou os perigos das viagens aéreas num país frequentemente referido como um dos lugares mais arriscados do mundo para voar.

O acidente de domingo fez pelo menos 68 mortos, tornando-se o pior acidente aéreo na nação dos Himalaias em 30 anos. Foi também o terceiro pior na história da aviação do país, segundo dados do site Aviation Safety Network, que regista todos os acidentes e incidentes aéreos.

Especialistas dizem que condições como o clima rigoroso, a baixa visibilidade e a topografia montanhosa contribuem para a reputação do Nepal como um lugar verdadeiramente perigoso para voar.

O voo de domingo da Yeti Air completou 18 minutos de viagem antes de perder contacto com uma torre de controlo na cidade de Pokhara. A aeronave havia quase terminado a sua curta viagem de Katmandu, a capital, para Pokhara, a segunda cidade mais populosa do Nepal e uma porta de entrada para os Himalaias.

"Topografia hostil"

Os padrões climáticos inconstantes não são o único problema para as operações de voo. De acordo com um relatório de segurança de 2019 da Autoridade de Aviação Civil do Nepal, a “topografia hostil” do país também faz parte do “enorme desafio” enfrentado pelos pilotos.

O Nepal, um país de 29 milhões de pessoas, tem oito das 14 montanhas mais altas do mundo, incluindo o Evereste, e as suas belas paisagens acidentadas tornam-no num destino turístico popular para os caminhantes.

Mas este terreno pode ser difícil de navegar no ar, especialmente durante o mau tempo, e as coisas pioram devido à necessidade de usar pequenas aeronaves para aceder às partes mais remotas e montanhosas do país.

Aparelhos com 19 lugares ou menos têm maior probabilidade de sofrer acidentes devido a esses desafios, segundo o relatório da Autoridade de Aviação Civil.

A capital Katmandu é o principal centro de trânsito do Nepal, de onde partem muitos desses pequenos voos.

O aeroporto da cidade de Lukla, no nordeste do Nepal, é muitas vezes referido como o aeroporto mais perigoso do mundo. Conhecida como a porta de entrada para o Evereste, a pista de aterragem do aeroporto está situada numa falésia entre montanhas, caindo diretamente para um abismo no final.

A falta de investimento em aeronaves antigas só aumenta os riscos de voar.

Em 2015, a Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla original), uma agência das Nações Unidas, deu prioridade à ajuda ao Nepal através da sua Parceria de Assistência à Implementação da Segurança da Aviação. Dois anos depois, a ICAO e o Nepal anunciaram uma parceria para resolver questões de segurança.

Embora nos últimos anos o país tenha feito melhorias nas suas normas de segurança, os desafios continuam a existir.

Em 2016, um voo da Tara Air despenhou-se durante a mesma rota da aeronave da Yeti Air. Esse incidente envolveu um avião Twin Otter recentemente adquirido, voando em condições claras.

No início de 2018, um voo da US-Bangla Airlines de Dhaka para Katmandu despenhou-se ao aterrar e incendiou-se, matando 51 das 71 pessoas a bordo.

E em maio de 2022, um voo da Tara Air com 22 pessoas a bordo despenhou-se numa montanha a uma altitude de cerca de 14.500 pés (mais de 4.400 metros de altitude).

*Joshua Berlinger, Teele Rebane, Sugam Pokharel e Elizabeth Yee contribuíram para este artigo.

CNN Portugal / Rhea Mogul e Manveena Suri*