Para ver onde eles viajaram tem mesmo de ver esta imagem com calma: como 4 nigerianos achavam que iam para a Europa e acabaram no Brasil - TVI

Para ver onde eles viajaram tem mesmo de ver esta imagem com calma: como 4 nigerianos achavam que iam para a Europa e acabaram no Brasil

  • CNN Portugal
  • ARC
  • 2 ago 2023, 15:55

“As pessoas fazem coisas inimagináveis e profundamente perigosas”

Viajaram 5.600 quilómetros de forma clandestina com destino à Europa (pensavam eles) e a surpresa foi grande quando chegaram a terra e deram por si no Brasil. Quatro nigerianos sobreviveram 14 dias num pequeno espaço junto ao leme de um navio porta-contentores até serem resgatados pela polícia federal na cidade portuária de Vitória, no sudeste brasileiro.

A viagem terá começado a 27 de junho, conta Roman Ebimene Friday, de 35 anos, um dos quatro homens. O objetivo era chegar a solo europeu, afastando-se do país natal marcado pelas dificuldades económicas, instabilidade política e violência  criminosa. Quando desembarcaram do outro lado do oceano Atlântico, o choque não podia ter sido maior, superando o alívio por estarem finalmente em terra.

No pequeno espaço escondido que ocuparam, as adversidades foram muitas, como conta Roman Ebimene Friday, citado pelas agências internacionais. A comida e a água potável terminaram ao décimo dia, dormir era difícil devido ao pouco espaço e ao barulho proveniente do motor do barco e conseguiam ver “peixes grandes como baleias e tubarões”.

A tudo isto somou-se o medo de serem descobertos pela tripulação do barco. “Foi uma experiência terrível para mim”, diz Thankgod Opemipo Matthew Yeye, de 38 anos, explicando que “a bordo não é fácil” e que passou a viagem a tremer e assustado. Para se manterem firmes e evitarem cair na água, os quatro nigerianos colocaram uma rede em torno do pequeno espaço e amarraram-se a ela através de uma corda.

A surpresa por estarem no Brasil revelou-se positiva para Roman Ebimene Friday, que já tinha tentado abandonar a Nigéria de barco anteriormente mas acabou detido pelas autoridades locais, e garante: “Fiquei muito feliz quando fomos resgatados”. Este homem pede agora asilo no país: “Rezo para que o Governo do Brasil tenha piedade de mim”.

Também Thankgod Opemipo Matthew Yeye, que viu a sua casa e respetiva quinta de amendoim e óleo de palma serem destruídas pelas cheias deste ano, o pede. Os outros dois viajantes clandestinos, no entanto, já estão de regresso à Nigéria a pedido dos próprios.

Para Paolo Prise, padre na igreja de São Paulo que os acolheu, esta situação ilustra o quão longe as pessoas estão dispostas a ir para um recomeço. “As pessoas fazem coisas inimagináveis e profundamente perigosas”, diz, explicando que nunca se tinha deparado com um caso tão perigoso de imigrantes clandestinos.

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