"É hoje que ele perde a virgindade". Tribunal dá como provado que adeptos do Benfica violaram menor - TVI

"É hoje que ele perde a virgindade". Tribunal dá como provado que adeptos do Benfica violaram menor

  • CNN Portugal
  • PP
  • 24 jun, 17:07
Justiça

Elementos dos No Name Boys apanharam a vítima após um jogo dos encarnados

Na noite de 19 para 20 de abril de 2022, um jovem deu entrada no hospital após ter sido agredido e violado com um pau por um grupo de “casuals" do Benfica ligados à claque No Name Boys. A vítima também era um adepto do Benfica e tinha 16 anos. Em tribunal relatou pormenores e as perícias forenses confirmaram a sua versão, apurou a CNN Portugal.

Entretanto a sentença foi proferida, com os adeptos a serem condenados a duras penas: quatro dos 13 arguidos apanham entre nove anos e sete anos e dois meses de pena efetiva. Alguns beneficiam de menos um ano por terem menos de 30 anos. Em causa estão crimes como violação agravada, roubo e ofensas à integridade física.

À vítima terão ainda de ser pagos 24 mil euros em indemnização.

Após o fim de um jogo de futsal, a vítima recebeu um telefonema e afastou-se dos amigos. É nessa altura que é abordado pelos arguidos. “Com que então és tu que te dás com os lagartos?”, disseram-lhe. E esse terá sido um dos motivos das agressões e violação, o facto do jovem ter amigos do Sporting. Mas não só. Houve relatos de que teria tirado fotografias à claque do Benfica e identificado alguns membros nas redes sociais.

A vítima acabou encaminhada até ao Alto dos Moinhos, para um descampado situado na parte de trás de um restaurante de hambúrgueres e pizzas. Depois de lhe tirarem o telemóvel leram mensagens que trocou com amigos e até realizaram videochamadas, mas apenas um atendeu. 

A vítima estava rodeada pelo grupo e sem possibilidade de fuga. Um dos suspeitos, que não conseguiu identificar, agride-o nas costelas. Depois seguiram-se os outros. Despiram a vítima que ficou só com boxers e filmaram o momento.

E das agressões, passaram à violação do jovem. Obrigaram-no a ajoelhar-se e despir o que faltava. Em seguida disseram: “Vira o c… Vira o c…”, para acrescentarem “é hoje que ele perde a virgindade”. No meio da violência e humilhação do ato, a vítima ainda ouviu alguém dizer “já chega, o miúdo só tem 16 anos”. Mas isso não os impediu de prosseguir. Pegaram num pau e molestaram-no no ânus. O grupo ainda ponderou acender uma tocha e usá-la da mesma forma, mas acabaram por não o fazer.

Em seguida foi ameaçado para ficar em silêncio e não contar nada a ninguém.  A vítima acabou por fugir e pediu ajuda a uma jovem que estava a passear o cão e chamou os pais por telefone. Deu entrada no hospital com várias lesões.

No decorrer do julgamento, a CNN Portugal sabe que o tribunal considerou que ficou provado que o grupo atuou de forma concertada, deixando a vítima sem capacidade de resistir.

As declarações da vítima foram credíveis, as descrições das lesões eram compatíveis com as perícias e o jovem descreveu todos os acontecimentos. O relatório forense feito à vítima corrobora a existência inequívoca do crime.

Em fevereiro de 2023, a PSP desenvolveu uma operação de combate ao crime violento no mundo das claques de futebol em Lisboa. Entre os detidos havia adeptos do Benfica e do Sporting. As autoridades encontraram indícios da prática de vários crimes violentos, como roubos e agressões. Na verdade, a investigação que culminou nesta operação terá começado com a violação do jovem de 16 anos.

A vasta experiência dos Spotters da UMID (Unidade Metropolitana de Informações Desportivas) da PSP permitiu identificar todos os arguidos, uma vez que estas equipas monitorizam adeptos de risco e conheciam os arguidos em causa. Após a apresentação da queixa, acabaram por chegar até eles.

Dos 13 adeptos do Benfica ligados aos No Name Boys suspeitos de terem violado o jovem, oito ficaram em prisão preventiva e cinco obrigados a apresentações periódicas. E ainda impedidos de entrar em recintos desportivos.

Mas os crimes a envolver o grupo sentado no banco dos réus são vários: roubo, ofensas à integridade física, violação agravada, gravações ilícitas, coação agravada, desobediência, detenção de arma proibida e tráfico de estupefacientes. Ao todo, responderam n a justiça por três episódios de extrema violência ocorridos no referido mês de abril de 2022.

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