O ex-responsável pela estratégia para a pandemia de covid-19 da Nova Zelândia Chris Hipkins foi confirmado este domingo o próximo primeiro-ministro do país, substituindo Jacinda Ardern que renunciou esta semana ao cargo.

Hipkins, de 44 anos, era o único candidato, pelo que a confirmação pelo Partido Trabalhista foi uma mera formalidade, informou a Radio New Zealand.

O político nomeou para o cargo de vice-primeira-ministra a atual ministra do Desenvolvimento Social e Artes e Cultura, Carmel Sepuloni, que se converte assim na primeira pessoa com ascendência nas ilhas do Pacífico (Samoa e Tonga) a ocupar o cargo no país.

Hipkins, que toma posse em 25 de janeiro, disse que o governo vai concentrar-se nos desafios económicos enfrentados pela nação, como a inflação e uma possível recessão.

"A economia estará no centro de tudo o que fizermos", disse.

Chris Hipkins desempenhava o cargo de ministro da Administração Interna, Educação e Serviços Públicos. Foi eleito pela primeira vez para o parlamento em 2008 e nomeado ministro com a pasta da covid-19 em novembro de 2020.

Jacinda Ardern anunciou na quinta-feira a renúncia ao cargo de chefe de governo, convocando eleições para 14 de outubro.

“Dei tudo de mim para ser primeira-ministra, mas isso também exigiu muito de mim”, disse.

A primeira-ministra demissionária tinha sido eleita para liderar o país com apenas 37 anos, após a surpreendente renúncia do líder de centro-direita John Key, tornando-se a primeira-ministra mais jovem da Nova Zelândia desde 1856 e um símbolo do progressismo, com vincadas ideias de esquerda.

Depois de conseguir um segundo mandato, graças à vitória esmagadora do Partido Trabalhista nas eleições legislativas de 2020, Ardern teve uma queda de popularidade nos últimos anos, atribuída a várias causas: deterioração da situação económica, declínio da confiança no governo, ressurgimento da oposição conservadora.

Nos últimos meses, a primeira-ministra não conseguia já esconder a irritação com a oposição aguerrida da direita e começaram a fazer-se notar os sinais de desgaste político.

Nascida em 1980, em Hamilton, a sul de Auckland, Jacinda Ardern diz que foi a pobreza a que assistiu no interior da Ilha do Norte que ajudou a moldar as suas crenças de esquerda.

/ AG