O Conselho de Segurança da ONU decide esta segunda-feira se renova ou não o mecanismo transfronteiriço que permite o envio de ajuda para o noroeste da Síria, onde mais de quatro milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A ajuda chega às pessoas sem passar pelas mãos do governo do presidente sírio Bashar al-Assad, com organizações não-governamentais e ativistas a apelarem às Nações Unidas para renovarem o mecanismo estabelecido em 2014 e cuja existência continuou sob pressão nos últimos anos, devido aos vetos da Rússia e da China, aliados de Assad.

A última resolução adotada pelo organismo, em julho de 2022, prorrogou a entrada da ajuda desde a Turquia até terça-feira, 10 de janeiro, e deixou a porta aberta para uma nova prorrogação de mais meio ano, mas condicionou-a a uma nova votação. Nessa ocasião, a Rússia, que tem vindo a intervir militarmente na Síria em nome de Damasco desde 2015, impediu a sua renovação por um período mais longo.

A votação desta segunda-feira ocorre em pleno agravamento da situação humanitária na Síria, onde a pandemia de covid-19 e os efeitos da guerra na Ucrânia fizeram com que os preços das mercadorias ficassem fora do alcance de grande parte da população.

Embora a crise síria tenha atingido níveis recorde após quase doze anos de guerra, a longa duração do conflito e o aparecimento de novas emergências noutras partes do mundo reduziram significativamente o financiamento dos cuidados humanitários no país árabe.

Em 2022, o plano de resposta humanitária da ONU para a Síria não conseguiu angariar sequer metade dos fundos necessários, ao não ir além de cerca de 2,1 mil milhões de dólares do total de mais de 4,4 mil milhões de dólares de que precisava para a sua intervenção no terreno.

O posto fronteiriço de Bab al Hawa, que liga a província de Idlib, no noroeste da Síria, à Turquia, é a principal rota através da qual as remessas da ONU entram atualmente nas zonas detidas pela oposição nessa área e em Aleppo.

Considerado o último reduto da oposição no país, a região acolhe quase três milhões de pessoas deslocadas pelo conflito iniciado em 2011 e a grande maioria da sua população de 4,6 milhões de pessoas precisa de ajuda humanitária para sobreviver.

/ AM