Ele não é francês mas faz a melhor baguete de Paris (a única que entra no Eliseu e que custa apenas 1,35€) - TVI

Ele não é francês mas faz a melhor baguete de Paris (a única que entra no Eliseu e que custa apenas 1,35€)

  • CNN
  • Oliver Briscoe
  • 20 mai 2023, 11:00
Baguetes no concurso anual "Grand Prix de la Baguette de Tradition Française de la Ville de Paris", também conhecido como o concurso da melhor baguete de Paris. Alain Jocard/AFP/Getty Images

A avaliação deste pão típico de França rege-se por regras rígidas. Das 176 baguetes inscritas no concurso de 2023, 40 foram imediatamente rejeitadas por serem demasiado curtas, demasiado compridas, demasiado pesadas, demasiado leves ou por serem feitas com a farinha errada

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A humilde baguete é o epítome da panificação francesa. O pão perfeito, delicadamente estaladiço por fora, macio e arejado por dentro, vale por si só o bilhete de avião para Paris.

Mas se os seus ingredientes podem ser simples, a sua preparação pode ser uma forma de arte - algo reconhecido anualmente quando os jurados se reúnem para eleger o melhor pão da capital francesa no concurso "Grand Prix de la Baguette de Tradition Francaise de la Ville de Paris".

No último dia 10 de maio, na 30.ª edição do concurso, os padeiros chegaram cedo e de toda a cidade para apresentar as suas propostas. O prémio: a honra de fornecer baguetes durante um ano ao Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês, e ainda 4.000 euros.

O concurso, o mais antigo do género em França, é "um verdadeiro motivo de orgulho para nós", afirma Franck Thomasse, presidente do Sindicato dos Padeiros de Paris, antes da cerimónia de entrega dos prémios, a 13 de maio.

No concurso, os padeiros são avaliados especificamente pela sua "baguete tradicional", uma designação que diferencia os pães de boa qualidade dos rivais fabricados industrialmente.

"É um concurso extremamente importante para eles, é realmente uma consagração", diz à CNN Olivia Polski, vice-presidente da autarquia para o comércio e artesanato.

Polski é uma veterana do concurso de Paris e presidiu-o durante quase uma década. "São muitas baguetes", ri-se.

Regras rígidas

Um membro do júri avalia as baguetes para o concurso de 2023. Alain Jocard/AFP/Getty Images

A avaliação rege-se por regras rígidas. Das 176 baguetes inscritas no concurso de 2023, 40 foram imediatamente rejeitadas por serem demasiado curtas, demasiado compridas, demasiado pesadas, demasiado leves ou por serem feitas com a farinha errada.

O pão digno de ir a concurso recebeu então um colar de papel numerado e foi apresentado anonimamente a um júri de 18 elementos, composto por anteriores vencedores, responsáveis de sindicatos de panificação, bloggers de gastronomia e seis parisienses, escolhidos aleatoriamente entre mais de 1.200 candidatos.

São considerados o aspeto, o cheiro, a técnica de cozedura e o sabor.

Mas será que há assim tanta diferença entre cada pão?

"Sim, não há dúvida", responde Polski, quase que indignada com a sugestão de que os pães possam ter todos o mesmo sabor.

"Pelo contrário, pode ser contraintuitivo, mas na verdade percebe-se muito rapidamente."

Polski diz que conseguiu distinguir o vencedor quase de imediato. "Até era o meu favorito, porque o provei na primeira ronda, fazia parte da minha mesa e foi por isso que anotei o número", conta.

Quente e fresco

Tharshan Selvarajah foi eleito o melhor padeiro. Oliver Briscoe/CNN

A vencedora foi a baguete número 142, confecionada por Tharshan Selvarajah, do Sri Lanka. A sua padaria, Au Levain des Pyrénées, situa-se numa esquina do 20.º arrondissement, longe dos palácios que constituem o centro da vida pública da capital.

Foi uma surpresa? Nem por isso, assume Selvarajah. "Já em 2018 ficámos em terceiro lugar. Depois disso, sempre pensámos que, da próxima vez, poderíamos ganhar, ficar em segundo ou em primeiro lugar", afirma à CNN.

"Eram todas boas e bonitas, mas a dele era particularmente bonita e muito, muito boa", descreve Thomasse, que provou cerca de 90 baguetes como membro do júri.

Selvarajah reveça que o segredo da sua padaria é cozer uma fornada de 20 em 20 minutos para que o pão esteja sempre quente e fresco. Apesar da glória premiada, o seu pão custa apenas 1,35 euros.

Polski afirma que estes pães de alta qualidade estão disponíveis a preços baixos, em parte devido ao facto de o concurso celebrar o saber-fazer local em matéria de panificação, face à concorrência industrial.

Atualmente, não há um único bairro sem pão fresco, indica Polski. "A padaria industrial praticamente desapareceu em Paris."

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