O presidente da CCP disse esta quinta-feira que a atual situação política é negativa para as empresas, indicando que o Presidente da República manifestou ter consciência da necessidade de ultrapassar a situação para que o país ganhe nova dinâmica económica.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, falava aos jornalistas no final de uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, no âmbito das audiências aos parceiros sociais.

"Pensamos que o senhor Presidente da República tem naturalmente consciência de que é necessário ultrapassar essas situações para que Portugal ganhe uma nova dinâmica económica", afirmou João Vieira Lopes, quando questionado sobre a atual crise política relacionada com a TAP, que levou à demissão de três governantes.

"Nesse aspeto, ficámos com a ideia de que existem previsões claras de como ela [a situação política] deve evoluir", acrescentou.

O líder da confederação empresarial afirmou que "a atual situação e as sucessivas mudanças políticas governativas são negativas, já que as empresas precisam de estabilidade e previsibilidade", acrescentando que "cada vez que há mudanças de governantes" é preciso muitas vezes "recomeçar de novo todo o conjunto de 'dossiers' que já estão meio discutidos".

"Colocámos ao senhor Presidente da República a necessidade de se procurar ultrapassar toda esta situação", disse João Vieira Lopes, recusando-se a revelar a resposta do chefe de Estado.

"As nossas preocupações sobre a crise política não são o centro de gravidade da preocupação de uma confederação empresarial", disse Vieira Lopes, indicando que a CCP dialogará "com qualquer Governo que tenha a confiança da Assembleia da República e dos portugueses".

Na reunião com Marcelo Rebelo de Sousa, a CCP manifestou ainda preocupações pelo aumento do custo de vida em 2023, tendo em conta as taxas de juro e inflação, que vão afetar o rendimento disponível das famílias.

"Estamos preocupados com o ano de 2023 e ainda mais porque o conjunto de medidas do Orçamento do Estado e outras medidas são claramente insuficientes", sublinhou Vieira Lopes.

O líder da CCP disse ainda estar preocupado com "a lentidão com que os fundos europeus estão a entrar na economia."

Além de João Vieira Lopes, faziam parte da comitiva os vice-presidentes da CCP Gustavo Duarte e Vasco Álvares de Melo.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, demitiu-se na quarta-feira à noite para “assumir a responsabilidade política” do caso da indemnização de 500 mil euros da TAP à ex-secretária de Estado do Tesouro.

Esta foi a terceira demissão do Governo em dois dias, depois de Alexandra Reis, da pasta do Tesouro, no centro da polémica com a indemnização, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, que acompanhou a decisão de Pedro Nuno Santos.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, demitiu na terça-feira a secretária de Estado do Tesouro, menos de um mês depois de Alexandra Reis ter tomado posse e após quatro dias de polémica com a indemnização de 500 mil euros da TAP, tutelada por Pedro Nuno Santos.

/ WL