O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, disse esta quinta-feira que a demissão do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, constitui mais um sinal de que o Governo socialista “não governa” e “está em decomposição”.

“Os portugueses deram maioria absoluta a este Governo, eu não dei, mas [os portugueses] deram para ter um Governo estável para governar. O que se tem constatado é que o Governo não governa e não é estável. Portanto, é um paradoxo”, afirmou o governante insular.

Miguel Albuquerque, que lidera o executivo regional de coligação PSD/CDS-PP, falava à margem de uma cerimónia de entrega de bolsas de mérito a 15 alunos madeirenses do Ensino Superior, no Funchal.

“Acho que, neste momento, ninguém quer a dissolução do parlamento, agora a situação a nível governativo é preocupante, porque há um Governo que ao fim de nove meses está em decomposição, não tem liderança”, declarou, acrescentando que “o primeiro-ministro não consegue apresentar, ou pelo menos nós não percecionamos, um rumo para o país.”

“É um Governo que parece que está em fim de ciclo, sendo um Governo novo, e não há objetivos reformistas para o país, isto é que é o problema”, reforçou.

Miguel Albuquerque manifestou-se, por outro lado, preocupado com o andamento dos dossiês relacionados com a Madeira, nomeadamente os que são da tutela do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, como os projetos de habitação ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência.

O líder insular sublinhou ainda ser “estranho” que um Governo com maioria absoluta registe “tantas demissões e tantas convulsões em tão pouco tempo”.

“Parece um jogo de crianças”, disse.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, demitiu-se na quarta-feira à noite para “assumir a responsabilidade política” do caso da indemnização de 500 mil euros da TAP à ex-secretária de Estado do Tesouro.

Esta foi a terceira demissão do Governo em dois dias, depois de Alexandra Reis, da pasta do Tesouro, no centro da polémica com a indemnização, e do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, que acompanhou a decisão de Pedro Nuno Santos.

A Iniciativa Liberal já anunciou uma moção de censura ao Governo, no parlamento, onde o PS tem maioria absoluta.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, demitiu na terça-feira a secretária de Estado do Tesouro, menos de um mês depois de Alexandra Reis ter tomado posse e após quatro dias de polémica com a indemnização de 500 mil euros da TAP, tutelada por Pedro Nuno Santos.

Alexandra Reis recebeu uma indemnização por sair antecipadamente, em fevereiro, de administradora executiva da transportadora aérea. Em junho, foi nomeada pelo Governo para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV) e este mês foi escolhida para secretária de Estado do Tesouro.

A decisão de indemnizar Alexandra Reis, noticiada pelo Correio da Manhã, foi criticada por toda a oposição e posta em causa até pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao dizer que seria “bonito” prescindir da verba.

/ WL