Pepe está feliz: «Agora sou senhor do meu tempo» - TVI

Pepe está feliz: «Agora sou senhor do meu tempo»

Antigo internacional português foi convidado pela Universidade Nova para falar sobre os desafios de uma nova vida após uma carreira desportiva de sucesso

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Pepe está «feliz». O antigo internacional português foi desafiado esta quinta-feira a falar de como é a vida de um ídolo mundial depois de sair de baixo dos holofotes da fama e antigo central destacou, acima de tudo, o «tempo precioso» que agora tem para estar com a família. O antigo jogador até admite, um dia mais tarde, equacionar a carreira de treinador, mas agora quer apenas desfrutar do tempo junto dos que mais gosta.

Pepe foi convidado a apresentar o seu testemunho nas Conferências do Estoril sobre Diversidade, Equidade e inclusão, na Universidade Nova, em Carcavelos, sob a condução de Laurinda Alves. O antigo central fechou um dia longo de conferências e foi recebido com uma tremenda ovação de uma plateia repleta por jovens estudantes, muitos deles estrangeiros, mas curiosos para ver de perto um ídolo do futebol mundial.

O objetivo era Pepe dar o seu testemunho de «como é adormecer como um ídolo mundial e acordar, no dia seguinte, como um reformado». «Não é fácil, é preciso muita superação. Nunca olhei muito para o lado da fama como jogador da seleção e dos clubes por onde passei. Recebi esse carinho das pessoas e quando acordei reformado, acordei feliz. Enche-me o coração saber que, em geral, as pessoas gostam daquilo que fiz enquanto jogador», começou por enunciar.

Uma carreira em cheio de 24 anos, mas, para já, Pepe não sente falta do futebol. «Não. Obviamente qua quando se joga 24 anos sente-se saudades do que é o dia-a-dia, mas eu como dei sempre tudo de mim, enquanto atleta, quando tomei esta decisão fiquei muito feliz. Agora sou senhor do meu tempo, enquanto jogador não era, mas agora posso fazer aquilo que mais amo, que é poder estar com a minha família e podermos desfrutar dos fins-de-semana juntos», referiu.

Pela primeira vez, na vida, desde que chegou à fase adulta, Pepe não tem de andar a correr ao ritmo dos treinos e dos jogos é isso que deixa Pepe de sorriso aberto. «Tenho todo o tempo do mundo. Isso é muito importante. São pequenas coisas, mas tão importantes na vida, como os filhos e a família que, quando estamos no futebol, não damos conta. Nos aniversários, nas reuniões escolares, nunca estive presente. Agora vejo como o tempo é tão valioso»», reforça.

Estava dado o mote da conversa e as perguntas passaram a ser feitas por jovens estudantes de desporto da Casa Pia e de outras escolas do Concelho de Cascais que subiram ao palco com o antigo jogador. Crianças entre os cinco e os doze anos que fizeram «perguntas mais difíceis do que as que faziam os jornalistas quando era jogador», comenta Pepe logo depois da primeira abordagem.

Uma pergunta sobre a escorregadela de Pepe, no jogo frente à Eslovénia, no Euro2024. «Na altura achei que em Portugal iam matar-me. Não sei se repararam na minha cara de desespero quando fui atrás do jogador? Depois o Diogo Costa defendeu e agradeci-lhe por me ter salvo a vida», conta sorridente.

«Treinador? Vou ter de me preparar muito para poder ser treinador»

Já que se falava do futuro, outra criança perguntou a Pepe se gostava de ser treinador. Pepe não fechou totalmente a porta. «Para já, estou muito feliz por ter tempo, mas não quer dizer que daqui a uns meses ou uns anos, não posso vir a ser treinador. Uma coisa digo. Durante a minha carreira preparei-me sempre muito para poder entrar dentro do campo e estar ao melhor nível. Se um dia puder ser treinador, com certeza que vou ter de me preparar muito para poder ser treinador», referiu.

Pepe não sente falta do futebol, mas, se tivesse a oportunidade de recomeçar tudo de novo, repetia tudo outra vez. «Como jogador, nunca olhei muito para a fama, olhava sempre para os obstáculos que tinha de ultrapassar. Com os títulos e as conquistas que vais tendo na tua trajetória, tornas-te muito conhecido, ao ponto de não poder ir a uma padaria. Mas é também o reconhecimento das pessoas por tudo o que fizeste. Portanto, se pudesse voltar atrás, faria tudo igual outra vez», confessou.

Pepe falou depois dos seus primeiros passos na carreira, ainda no Alagoano, e a forma como chegou a Portugal, em 2001, pela mão de Nelo Vingada, para jogar no Marítimo. Falou também no FC Porto e na oportunidade de jogar na Liga dos Campeões e nos dez anos no Real Madrid «com os melhores jogadores do mundo».

O antigo central elegeu ainda como melhor jogo da carreira «a final do Euro2016» e como melhor golo «a naturalização por Portugal» e o «prestígio» que alcançou a representar o país de adoção. «Quando tomei a decisão de representar Portugal foi a seguir a um jogo em Setúbal. Comuniquei a decisão e fiquei aguardando por uma oportunidade. Quando recebi a primeira convocatória liguei para a minha mãe. Agradeço a Portugal tudo o que me deram desde o primeiro dia», destacou ainda.

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