Centenas de manifestantes entraram esta quinta-feira nas instalações do aeroporto de Arequipa, a segunda maior cidade do Peru, forçando à suspensão das operações e enquanto prosseguem os protestos governamentais que alastraram à capital Lima.

Os manifestantes irromperam no aeroporto Alfredo Rodríguez Ballón após derrubarem as vedações metálicas do perímetro do terminal aéreo, com a polícia a responder com o lançamento de gás lacrimogéneo.

Previamente, o Ministério dos Transportes e Comunicações tinha anunciado o encerramento do aeroporto “para prevenir a integridade da cidadania e a segurança das operações aeronáuticas”.

Até ao momento, pelo menos 54 pessoas, incluindo um polícia, foram mortas durante os protestos, iniciados no início de dezembro e que registaram uma pausa no Natal e início do ano, para serem retomados nos primeiros dias de janeiro.

Em Lima, manifestantes antigovernamentais concentravam-se desde o início da manhã para voltar a exigir a demissão da Presidente Dina Boluarte, e perante forte presença policial.

A demissão de Boluarte, a dissolução do Congresso e a convocação imediata de eleições para uma assembleia constituinte, a punição para os responsáveis policiais e militares envolvidos na sangrenta repressão dos protestos e a libertação do ex-presidente Pedro Castillo – acusado de promover um “golpe de Estado” constitucional e em prisão preventiva –, são as principais reivindicações da população, proveniente das zonas mais pobres do país e que agora se dirigiu para a capital.

Boluarte – que no início de dezembro substituiu o então presidente Pedro Castillo –, declarou na terça-feira que as estradas ocupadas pelos manifestantes iriam ser desbloqueadas pelas forças policiais e militares, e disse esperar que nos protestos em Lima fossem expressas as reivindicações sociais, mas não políticas, numa referência às diversas palavras de ordem ecoadas nos protestos e onde se inclui a sua imediata demissão.

/ CF