Estas são as “piscinas marinhas” de água salgada mais espetaculares do mundo (uma fica em Portugal – sabe onde?) - TVI

Estas são as “piscinas marinhas” de água salgada mais espetaculares do mundo (uma fica em Portugal – sabe onde?)

  • CNN
  • Faye Bradley
  • 30 jul 2023, 17:00
Piscinas Marinhas

Conheça algumas das mais incríveis piscinas que pode encontrar nas costas marítimas

As “piscinas marinhas” artificiais podem ser encontradas em costas de todo o mundo, e foram concebidas para oferecer aos banhistas um refúgio seguro contra os perigos das águas agitadas e das correntes imprevisíveis. Desde a Piscina Avalon Rock, na Austrália, com 25 metros de comprimento à beira-mar, até à "Piscina da Sereia” (“Mermaid Pool"), na Cornualha, no Reino Unido, elas podem proporcionar um sereno oásis de água salgada, tendo como pano de fundo o bater das ondas do mar.

Para Chris Romer-Lee, autor de Londres e entusiasta da natação ao ar livre, e cujo novo livro apresenta fotografias de mais de 60 piscinas marítimas espetaculares, a atração não é apenas estética – ele sente-se atraído pela sensação de segurança que elas proporcionam.

“As fotografias de que gosto particularmente são aquelas (tiradas) em dias de tempestade, onde se tem realmente a sensação de estar a ser embalado pela natureza”, disse à CNN numa entrevista em vídeo.

O seu livro, que inclui ensaios de designers e colegas nadadores ao ar livre, apresenta uma variedade de piscinas de todo o mundo. E também investiga a arquitetura e a história das piscinas marítimas a partir do século XIX.

A Piscina Avalon Rock, em Nova Gales do Sul, na Austrália, foi construída em 1921. Foto Tim Seaton

Projeto de paixão

O fascínio de Romer-Lee por piscinas marítimas foi despertado durante umas férias em família na Suíça, há uma década. Inspirado pela sua experiência de natação no Lago de Zurique - onde encontrou o Zürichsee Kreisel, uma instalação de natação construída ao longo do lago e do rio Limmat - fundou a Thames Baths, uma organização que faz campanha para a construção de uma piscina flutuante no rio Tamisa, em Londres.

O Studio Octopi, o gabinete de arquitetura que co-fundou, é outra forma de canalizar a sua paixão, tendo nos últimos anos restaurado piscinas de marés na Escócia e concebido uma piscina de água do mar na Cumbria.

Para fazer pesquisa para o seu livro, Romer-Lee passou “horas e horas” no Google Maps, analisando costas de todo o mundo para localizar os melhores exemplos de piscinas marinhas. (“Foi a forma mais produtiva de as encontrar”, disse).

De seguida, contactou, através do Instagram, fotógrafos que já tinham fotografado os locais. Muitos deles eram locais, e Romer-Lee disse que "gostou da ideia de dar alguma exposição a fotógrafos menos conhecidos ou a quem está a começar".

As imagens resultantes revelam uma incrível mistura de formas, desde a calma Piscina Belmullet Tidal da Irlanda, que é descrita no livro como “mais parecida com uma instalação artística”, até às rochosas Piscinas Naturais de Porto Moniz, em Portugal, que tiveram origem no arrefecimento e solidificação da lava vulcânica da Madeira ao longo de milhares de anos. (Em 1940, as piscinas fragmentadas foram consolidadas numa única entidade com a construção de uma parede marítima de betão).

As Piscinas Naturais de Porto Moniz, na Madeira, em Portugal. Foto Massimo Vitali
A piscina de maré de Belmullet, no condado de Mayo, Irlanda, tem uma piscina para crianças ao lado da piscina principal de cerca de 20 metros. Foto Scott Dane

A cor e a composição das fotografias contribuem muitas vezes para a sensação de espanto - como as imagens de Pozo De Las Calcosas, nas Ilhas Canárias, em Espanha, uma piscina fora dos circuitos habituais, a que se acede através de um caminho sinuoso de calçada vulcânica, cujas águas brilham contra a costa escura e recortada.

Construído nas Ilhas Canárias, em Espanha, no século XIX, o Pozo De Las Calcosas situa-se à beira da água e é acedido através de um sinuoso caminho de calçada. Foto: Turismo das Ilhas Canárias

“As cores são apenas imensas”, diz Romer-Lee. “Temos a água furiosa do Atlântico a banhar esta costa vulcânica, e a piscina é simplesmente escavada no campo de lava. Depois, temos esta piscina de maré plana, limpa, com uma cor verde-azul espantosa.”

A piscina de maré de Salt Rock, na província sul-africana de KwaZulu-Natal, por sua vez, parece bem aparada pela espuma branca do mar produzida pelas ondas agitadas que batem nas rochas vizinhas. "É completamente tranquilo e calmo", disse o autor. "Não seria possível entrar no mar nestas condições, e foi exatamente por isso que construíram estas piscinas."

A piscina rochosa de Porthtowan, na Cornualha, Reino Unido, é apelidada de "Piscina da Sereia". Foto Paul Healey

As piscinas de Trinkie e North Baths, na Escócia, juntamente com a Lewinnick Cove House Pool e as Lady Basset's Baths, na Cornualha, estão também entre as entradas favoritas de Romer-Lee no livro. Todas foram captadas no frio de janeiro, com a neve a conferir a uma das fotografias uma atmosfera especialmente marcante.

Batizado com a palavra escocesa para "trincheira", Trinkie, em Wick, no Reino Unido, é mais comprida do que uma piscina olímpica. Foto Iain Masterton
North Baths, na cidade escocesa de Wick, datam do início do século XX. Foto Iain Masterton
Em 1782, o nobre inglês Sir Francis Basset deu instruções a um pedreiro para construir uma série de piscinas - atualmente conhecidas como Lady Basset's Baths - para a sua mulher e filha na Cornualha, Reino Unido. Foto Anastasia Benjafield

Tesouros naturais

Noutros locais, o livro destaca a engenharia ambiciosa e os projectos "maravilhosamente extravagantes e excessivos", como o Wooley's Pool na Cidade do Cabo, África do Sul, com as suas rochas pintadas de branco. A tinta branca de zinco evita que as rochas se tornem escorregadias, ao mesmo tempo que lhes dá um aspeto dramático e esteticamente agradável.

Mas Romer-Lee também manifestou a preocupação de que a tinta possa impedir que as algas se fixem nas rochas, afetando assim o ecossistema. “Uma boa piscina é aquela em que o homem e os animais vivem em harmonia”, disse ele.

Piscina de Wooley em Kalk Bay, um subúrbio da Cidade do Cabo, África do Sul. Foto Jay Caboz

Com o encerramento de piscinas cobertas aquecidas no Reino Unido e noutros países, devido ao aumento dos preços da energia, a natação ao ar livre parece estar a ressurgir, disse Romer-Lee, que passa todas as manhãs a nadar ao ar livre no lago Serpentine, no Hyde Park, em Londres. Ele espera que o seu livro possa chamar a atenção para as muitas piscinas acessíveis, seguras, mas muitas vezes negligenciadas, que se encontram nas margens de todo o mundo.

“Não nos esqueçamos destes tesouros e do que eles fazem por nós, e respeitemo-los como fazemos com o resto do mar”, afirmou. “Há algo realmente importante sobre estas piscinas no léxico da natação.”

Capa do novo livro de Chris Romer-Lee, “Sea Pools: 66 Saltwater Sanctuaries From Around the World” [à letra, "Piscinas Marinhas: 66 santuários de água salgada de todo o mundo"], publicado pela editora Batsford [nos EUA] a 3 de agosto.

Imagem no topo deste artigo: a Lewinnick Cove House Pool foi construída na paisagem rochosa da Cornualha, no Reino Unido, pelo advogado e financeiro Frederick Baker, em 1927. Foto Anastasia Benjafield

 

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