Um novo "supercontinente" pode dizimar os humanos e tornar a Terra inabitável - TVI

Um novo "supercontinente" pode dizimar os humanos e tornar a Terra inabitável

  • CNN
  • Amy Woodyatt
  • 26 set 2023, 17:30
Supercontinente CNN

Imagem em cima mostra a temperatura média mensal mais quente (graus Celsius) da Terra e do supercontinente projetado (Pangea Ultima) daqui a 250 milhões de anos, altura em que seria difícil a sobrevivência de quase todos os mamíferos. (Imagem Universidade de Bristol)

A formação de um novo "supercontinente" poderá extinguir os seres humanos e todos os outros mamíferos ainda vivos dentro de 250 milhões de anos, segundo previsões de investigadores.

Utilizando os primeiros modelos climáticos supercomputacionais de um futuro distante, os cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, previram a intensificação dos extremos climáticos após a fusão dos continentes do mundo para formar um supercontinente, Pangea Ultima, dentro de cerca de 250 milhões de anos.

Os investigadores concluíram que o clima seria extremamente quente, seco e praticamente inabitável para os seres humanos e os mamíferos, que não estão evoluídos ao ponto de lidar com a exposição prolongada ao calor excessivo.

Os investigadores simularam as tendências de temperatura, vento, chuva e humidade para o supercontinente e utilizaram modelos do movimento das placas tectónicas, da química dos oceanos e da biologia para calcular os níveis de dióxido de carbono.

Os investigadores apuraram que a formação do Pangea Ultima não só conduziria a erupções vulcânicas mais regulares, lançando dióxido de carbono para a atmosfera e aquecendo o planeta, como também o sol se tornaria mais brilhante, emitindo mais energia e aquecendo ainda mais a Terra, observaram os especialistas no artigo de investigação em causa, publicado esta segunda-feira na revista Nature Geoscience.

"O recém-emergido supercontinente criaria efetivamente um triplo golpe que incluiria o efeito de continentalidade, um sol mais quente e mais CO2 na atmosfera", afirmou Alexander Farnsworth, investigador associado sénior da Universidade de Bristol e autor principal do artigo, num comunicado de imprensa.

"Temperaturas generalizadas de 40 a 50 graus Celsius e extremos diários ainda maiores, agravados por elevados níveis de humidade, acabariam por selar o nosso destino. Os seres humanos - juntamente com muitas outras espécies - morreriam devido à sua incapacidade de libertar o calor através do suor, arrefecendo os seus corpos", acrescentou Farnsworth.

O aumento do calor, observou Farnsworth, criaria um ambiente sem fontes de alimento ou água para os mamíferos.

Esta imagem mostra a geografia da Terra atual e a geografia projectada da Terra daqui a 250 milhões de anos, quando todos os continentes convergirem para um supercontinente. Universidade de Bristol

Embora existam grandes incertezas quando se fazem previsões para um futuro tão longínquo, os cientistas afirmaram que o cenário parece "muito sombrio", com apenas cerca de 8% a 16% da terra no supercontinente habitável para os mamíferos.

As alterações climáticas causadas pelo homem já estão a provocar milhões de mortes por ano em todo o mundo.

O dióxido de carbono poderá atingir o dobro dos níveis atuais, de acordo com o relatório, embora esse cálculo tenha sido feito partindo do princípio de que os seres humanos deixam de queimar combustíveis fósseis agora, "caso contrário, veremos esses números muito, muito mais cedo", disse Benjamin Mills, professor de evolução do sistema terrestre na Universidade de Leeds e coautor do relatório, no comunicado.

Este panorama sombrio não é desculpa para a complacência quando se trata de enfrentar a atual crise climática, alertam os autores do relatório. As alterações climáticas causadas pelo homem já estão a provocar milhões de mortes por ano em todo o mundo.

"É de importância vital não perder de vista a nossa atual crise climática, que é o resultado das emissões humanas de gases com efeito de estufa", afirmou a coautora Eunice Lo, investigadora em alterações climáticas e saúde na Universidade de Bristol, no comunicado de imprensa.

"Embora estejamos a prever um planeta inabitável dentro de 250 milhões de anos, hoje em dia já estamos a sentir um calor extremo que é prejudicial para a saúde humana. É por isso que é crucial atingir emissões líquidas nulas o mais rapidamente possível", acrescentou Lo.

As alterações climáticas estão em vias de transformar a vida na Terra, com milhares de milhões de pessoas e outras espécies a chegarem a um ponto em que já não se podem adaptar, a menos que o aquecimento global seja drasticamente abrandado, de acordo com um importante relatório apoiado pela ONU publicado no ano passado.

Há décadas que os cientistas alertam para a necessidade de o aquecimento se manter abaixo dos 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, com a janela para reduzir a nossa dependência dos combustíveis fósseis e evitar mudanças catastróficas que transformariam a vida tal como a conhecemos a fechar-se rapidamente.

A última extinção em massa ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, quando um asteroide embateu na Terra e matou os dinossauros e a maior parte da vida no planeta.

 

Angela Fritz, Rachel Ramirez e Laura Paddison, da CNN, contribuíram para a reportagem.

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